8 de Nov. de 2018 às 10:24

Com queimaduras e desidratado piloto segue internado sem previsão de alta

Maicon Semencio Esteves, de 27 anos,esteve desaparecido por pelo menos quatro dias após queda de aeronave agrícola, em Peixoto de Azevedo.

Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

Reprodução / Montagem

Segue internado e sem previsão de alta o piloto Maicon Semencio Esteves, de 27 anos, que foi encontrado, na tarde desta quarta-feira (07), há pelo menos quatro dias após a queda da aeronave agrícola, em uma região de mata no município de Peixoto de Azevedo.

O piloto comandava a aeronave modelo Neiva EMB-201, matrícula PT-GSH, que caiu em uma região Distrito de União do Norte, no último sábado (03). Com a queda, o avião pegou fogo e ficou completamente destruído.

De acordo com o Hospital Regional de Peixoto, Maicon teve infecções e queimaduras de primeiro e segundo grau, principalmente no rosto. Se quadro clínico é considerado estável. Ele não teve nenhuma fratura, apenas um comprometimento renal por causa da desidratação.

O piloto está respondendo bem ao tratamento e está consciente. No entanto, ainda não tem data para receber alta.

Maicon mora no Município de Primeiro de Maio (PR).

O resgate

Maicon Semencio Esteves, foi encontrado a cerca de 2,2 km do local onde caiu o avião. Equipes montadas por Policiais Militares, familiares, amigos e trabalhadores de fazendas da região deram início as buscas pelo piloto desde a queda da aeronave.

O Corpo de Bombeiros foi acionada para ajudar nas buscas já na segunda-feira (05). Três militares de Colíder foram até a região e deram início asReprodução buscas.

Os militares utilizavam fogos de artificio para ajudar na localização do piloto. As informações repassadas pela assessoria dos bombeiros, dão conta que os militares entravam na mata com os primeiros raios de sol e saiam só depois da meia noite.

Já na quarta-feira, 30 trabalhadores da fazenda São João se disponibilizaram para ajudar nas buscas.

Equipes lideradas pelos bombeiros foram montadas e obtiveram êxito de encontrar Maicon próximo a um córrego.

"Depois de caminhar por muito tempo, o piloto parou nesse local e ficou bebendo água. Durante os quatro dias ele bebeu água mas estava muito debilitado pelas queimaduras, pelos arranhões causados por espinhos na mata e por machucados no pé de tanto caminhar", disse o tenente Fonseca, que participou das buscas.

Os bombeiros ainda informaram que Maicon não escutou os fogos de artifício, pois estava utilizando o capacete para se locomover na mata, devido à grande quantidade de espinhos que tem na floresta.

Ele contou aos socorristas que sobreviveu comendo bolacha e bebendo a água do córrego, que achou com ajuda de um GPS. 

Sem condições de andar, devido a fraqueza e os ferimentos nos pés, uma maca improvisada com galhos de arvore e panos foi montada para que ele fosse levado até uma clareira, cerca de 200 metros do local de onde ele foi encontrado, para que ele fosse encaminhado ao hospital.

Investigação FAB

A suspeita é de que a queda tenha sido causada por uma falha mecânica. Consta que a aeronave estava Registro Aeronáutico Brasileiro, do avião estava com o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) cancelado desde 2010.

Por meio de nota, a Força Aérea Brasileira (FAB), informou que investigadores do Sexto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA VI), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), realizarão a ação inicial da ocorrência envolvendo a aeronave de matrícula PT-GSH.

A investigação realizada pelo CENIPA tem o objetivo de prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram.

A conclusão de qualquer investigação conduzida pelo CENIPA terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade do acidente.