12 de Fev. de 2019 às 08:06

Ricardo Boechat; é triste perder um ídolo

Gazeta MT

Em 2008, quando me iniciei no jornalismo, conheci Ricardo Boechat. Eu, repórter estagiário e aprendiz de editor. Ele, âncora de todas as manhãs na rádio Band News FM.

Seguia firme no meu segundo ano do curso de jornalismo e ainda tentava entender como funcionava o dia a dia da profissão que me acompanharia por tantos anos ( já são 10). Para todo "foca", jovem iniciante da redação, uma pergunta era a mais difícil de se responder: o que é ser jornalista?

Para minha plena alegria e, descobriria anos depois, fundamental formação, tive a ajuda de Ricardo Boechat para responder. Atento ao rádio enquanto estagiava empolgado, tinha a certeza de que ser jornalista era ser como Ricardo Boechat. Sem que ele jamais soubesse, era o melhor dos meus professores. Se tornou depois o maior dos meus ídolos.

Por anos a fio acordei, almocei, estudei, jantei e dormi com Ricardo Boechat. Mais que um nome de talento inspirador, ele era para mim uma escola. A escola Ricardo Boechat de jornalismo verdadeiro, ético, com propósito e a missão de exercer seu papel social.

Ricardo Boechat incomodava, pois qual seria o papel de um bom jornalista se não o de incomodar? Me refiro em especial aos poderosos da política e das grandes corporações. Inteligente, pautado na verdade, comprometido com a informação. Jamais vi quem o refutasse impunemente.

Humorado, fazia da notícia um elemento prazeroso. Para mim, jovem de carreira, aquilo sim era uma aula. Inspirado, me pus a contar histórias e a evoluir como jornalista. Hoje, mais maduro, carrego comigo a gratidão por tudo o que ele, em sua máxima generosidade, me doou. O que Ricardo Boechat fez por mim, e para tantos, não tem preço.

Ao saber de sua morte, me consomem duas dores. A primeira é a do aluno que perdera seu mestre mais querido. Seu ídolo. A segunda é a do colega de profissão, do jornalista experiente que compreende a lacuna que sua ausência deixa na imprensa do país. Ricardo Boechat é insubstituível.

Em tempos de ataque ao papel dos veículos de imprensa em todo o Brasil, sua prestação jornalística militava em prol de nossa causa. Nesta atual polarização politica e massiva estupidez popular, sua falta há de ser sentida por todos.

Ricardo Boechat deixa aos mais jovens e a todos os profissionais de imprensa do Brasil seu legado de coragem. Jornalista não se acovarda, não se vende. Jornalista estuda, apura e cobra a verdade dos fatos. É o repórter que vai às ruas, o âncora que reafirma seu compromisso em rede nacional. Código de ética e amor ao ofício mostrados na prática.

Jamais o conheci pessoalmente. Queria tê-lo. Ao menos agora, talvez assim, em forma de anjo, consiga ouvir meus pensamentos e saber o quanto sua luta me ensinou. É triste perder um ídolo, é doloroso. Obrigado por tudo, professor!

Robson Morais - Jornalista

 

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