14 de Março de 2019 às 09:53

Cabo e Coronel da PM prestam novo depoimento e miram comprometer Taques

ESTEVAN DE MELO

Um dos escândalos políticos de maior repercussão em Mato Grosso nos últimos anos deve ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas. Trata-se do esquema de escutas clandestinas que vigorou durante o mandato do governador Pedro Taques (PSDB) e é conhecido como “Grampolândia Pantaneira”. 

O coronel da Polícia Militar Evandro Lesco e o cabo Gerson Corrêa Júnior apresentaram, por meio de seus advogados, novo pedido de interrogatório, o que foi prontamente aceito pelo juiz da 11ª Vara Militar, Marcos Faleiros em razão do direito constitucional de assegurar a ampla defesa e contraditório e preservar o princípio da verdade real do processo penal, ou seja, buscar a versão que mais se aproxima da realidade. 

O magistrado ressaltou que a iniciativa dos militares em prestar novo depoimento pode perfeitamente mudar o rumo do caso e resultar, até mesmo, no perdão judicial. 

“Assim, aplicando subsidiariamente o artigo 196 do Código de Processo Penal, bem como diante da possibilidade de, durante a realização de novo interrogatório, serem trazidos elementos que possam trazer benefícios aos acusados, a exemplo de atenuantes e até mesmo a possibilidade de reconhecimento de delação unilateral e possível concessão de perdão judicial, defiro os pedidos ora formulados, até porque, inclusive, documentos podem ser anexados a qualquer tempo”, diz um dos trechos.

Nos bastidores, se comenta que o ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, primo do ex-governador Pedro Taques (PSDB), deve ser atingido em cheio pelas revelações bombásticas. 

As escutas clandestinas patrocinadas pela cúpula da Polícia Militar monitorava conversas telefônicas de advogados, jornalistas, servidores públicos e até mesmo políticos de oposição.