8 de Março de 2018 às 07:53

Maggi e Mapa se tornam parceiros da PF em investigações

Na primeira fase, não era possível trabalhar com o ministério, pois havia pessoas ligadas a políticos suspeitas de envolvimento

Gazeta MT

Quase um ano após seu início, a Operação Carne Fraca chega à sua nova fase com o Ministério da Agricultura, comandado por Blairo Maggi, em outro lado nas investigações. Na primeira fase, não era possível trabalhar com o ministério, pois havia pessoas ligadas a políticos suspeitas de envolvimento. Agora, o ministério é parceiro da Polícia Federal.

Blairo Maggi espera que, desta vez, não ocorram embargos dos países importadores da carne brasileira. Sobretudo, de frango, pois a primeira medida que tomou foi avisar aos países compradores.

Na mensagem enviada aos principais países importadores, Maggi deixou claro que a Operação Trapaça se concentrou em irregularidades entre empresas privadas.

BRF

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, foi alvo nesta semana da Operação Trapaça, que investiga a adulteração de laudos laboratoriais de frango para exportação. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que os problemas apontadas pela operação ocorreram antes da Carne Fraca, deflagrada em março de 2017.

"Infelizmente, a BRF foi a mais acusada. Tenho até dó da empresa, porque ela ficou sob nossa orientação, passamos a fiscalizar com muita frequência e eles de fato fizeram a lição de casa, subiram de patamar. No momento em que começava a ganhar elogios, ela leva uma bordoada. Mas são coisas do passado", disse o ministro Blairo Maggi.

O ministério diz que elevou fortemente as exigências sobre os frigoríficos e as empresas fizeram sua lição de casa depois da Operação Carne Fraca. Os fatos relatados pela operação Trapaça ocorreram em 2014 e 2015. A intenção do ministério é traçar uma linha divisória antes e depois da operação, para apartar as irregularidades no período anterior a ela.

Corrigindo uma falha de comunicação ocorrida na Operação Carne Fraca, o governo enviou informações aos mercados consumidores assim que a Operação Trapaça foi acionada, na última segunda-feira. "Agora vamos detalhar com mais profundidade as ações que estamos tomando e qual a extensão do problema levantado", disse o ministro.

Além de União Europeia e Hong Kong, outros mercados da carne de aves brasileira pediram informações adicionais ao governo brasileiro, disse o ministro, sem, porém, especificar quais foram os outros países. "Acho que todos vão pedir", comentou. "Acho legítimo. Eu, na posição de ministro da Agricultura, faria o mesmo."