9 de Jan. de 2018 às 09:32

Pátio avalia gestão 2017 e projeta eleições 2018: “Preciso ser um estadista”

Prefeito conversou com a reportagem do Gazeta após o lançamento do Fila Zero da Saúde

Reportagem: Robson Morais / Fotos: Luan Dourado

Um ano de crise, primeiro da gestão do atual prefeito de Rondonópolis. Em entrevista, José Carlos do Pátio -SD fez sua avaliação sobre os desafios de 2017, reconheceu problemas, mas, ressaltou: "conseguimos trabalhar. Tem muito o que fazer, mas, conseguimos".

Pátio aceitou o convite da reportagem para debater sobre  o último ano. A conversa ocorreu logo após o lançamento do programa Fila Zero, que visa sanar um déficit significativo. Quase 80 mil pacientes aguardam por cirurgias e demais procedimentos especializados na rede pública. Os que não deslocam para a capital do Estado, simplesmente seguem na espera.  

A Saúde, adiantou o prefeito, contará com reforço em 2018. Com mais orçamento em caixa, são esperados quase R$ 5 milhões em investimentos somente neste novo programa. A conclusão e retomada de obras de PSFs também será pauta, diz Pátio.

Por fim, o processo eleitoral. O peregrino Pátio, que conseguiu feito raro ao reunir toda a bancada do Estado, em Brasília, em prol do "partido Rondonópolis", agora reconhece necessidade de habilidade e sensibilidade ante os palanques: "preciso ser um estadista". Abaixo a entrevista completa:

GMT: Olá, prefeito! 2017 foi um ano difícil, em especial o de cortar gastos, tendo em vista toda a crise. Qual sua avaliação deste primeiro ano de governo?

Pátio: Na verdade, foi um ano onde houve uma queda da receita. A maioria dos municípios sequer conseguiu arcar com suas folhas de pagamento, atrasaram. Graças a Deus, mesmo com a implantação do PPCV (Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos dos servidores públicos municipais) feita pela gestão anterior, que só o fez para que eu colocasse em prática, foi possível seguir com a implantação e pagar todas as dívidas. Também conseguimos pagar todos os nossos fornecedores. Em abril, tivemos outro problema, quando o Ministério Público recomendou -ou melhor, apresentou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) -  o chamamento dos concursados, todos de uma vez. Geralmente o chamamento é feito em dois anos, com prorrogação para mais dois, mas o MP me fez convocar porque o antigo ex-vice-prefeito, Rogério Salles, havia assinado outro TAC, se comprometendo a chamar todos de uma vez. Achei que não fosse conseguir fechar a conta, mas no fim deu tudo certo e ainda conseguimos fazer outros investimentos.

GMT: Infraestrutura e trânsito eram problemas sérios na cidade. Ainda são, mas em 2017 houve melhorias...

Pátio: Colocamos novos semáforos, melhoramos. O recapeamento das vias e a sinalização também serão melhorados. Ainda temos problemas, mas vamos procurar, gradativamente, suprir esta demanda. Passamos por um problema sério, recapeamos alguns bairros e agora estamos fazendo na região central. É pouco, mas este ano a malha viária terá também sua prioridade. Está muito degradada.

GMT: Com relação às demais obras, prefeito. Há muita gente que critica o grande canteiro de obras espalhado pelo município, outros até reconhecem sua necessidade. Esta estratégia tende a continuar em 2018?

Pátio: Eu acredito que estamos melhorando. Nos asfaltamos bairros, como o Serra Dourada, vamos agora para o Farias e já está em processo de licitação do asfalto do Cidade de Deus... Há projetos tramitando na Caixa Econômica Federal para o Parque do Escondidinho, o Parque das Mangueiras, dos quais conseguimos recuperar recursos que já haviam se perdido. Temos projetos também para interligar a ponte nova até a ponte da Marechal Rondon (já existe até o dinheiro em caixa. Conseguimos legalizar o Parque da Seriema e vamos começar a implantar os projetos com os recursos que conseguimos junto com o MP. Estamos com 23 frentes de esgoto, pegamos com uma. Até o final do mandado, vamos deixar a cidade com quase 100% de água e esgotos tratados. Temos um aterro municipal. Outro problema agora são os Ecopontos, que estão sobrecarregados, mas as mudanças serão gradativas.

GMT: Em resumo, o saldo deste ano difícil, pode ser considerado positivo?

Pátio: Comparando com outros municípios, que sequer conseguiram pagar suas contas... Chegar ao final do ano como nós chegamos é algo positivo, sim. Pagar todo mundo, manter equilíbrio e fazer investimento são sinais de avanço. Em outra circunstância, sem crise econômica, a população deve exigir mais do prefeito. Muito mais. Entretanto, na situação que foi posta em 2017, olhando para todos os demais, estamos caminhando.

GMT: Para 2018, o orçamento previsto é de quase R$ 1 bilhão. Este número confere?

Pátio: Este é o valor considerando os repasses da União e Estado, financiamentos e tudo o mais, os recursos que virão. O caixa municipal é bem menor, mas será um ano mais saudável financeiramente.

GMT: Estamos em um ano político, prefeito. Rondonópolis, pela importância que tem no cenário estadual, muita gente vai pedir palanque. Como conduzir este processo?

Pátio: Da minha parte, terei que tratar muito bem todos os candidatos que passarem por Rondonópolis. As forças políticas me ajudaram muito. Fiquei gratificado com a união dos oito deputados federais e dos três senadores, em Brasília, para buscar recursos para esta cidade. Decidiram colocar metade da emenda coletiva voltada para Rondonópolis. Isso nunca havia acontecido, uma cidade do interior recebendo metade da emenda coletiva. Houve consenso. Também não posso negar a parceria com o governador Pedro Taques, que nos ajudou muito e conduziu obras, como a duplicação da Avenida Rio Branco e a conclusão das obras no córrego canivete. Agora estamos discutindo as obras da ponte da W11. Enfim, vou ter que ter sensibilidade com toda a classe política, em reposta ao apoio que me foi dado. Não farei rejeição, o prefeito terá de ser um estadista, olhando todos com respeito, porque estão todos com bons olhos para Rondonópolis.

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Neste momento, Pátio interrompe a conversa para complementar:

Só me lembro e reconheço aqui um problema grave da nossa cidade. A Coder não está bem, pagamos mais de R$ 5 milhões em dívidas da empresa para manter a certidão, mas ela ainda tem problemas. Tem que ser realista. A Coder é algo que precisamos realmente focar. Ela perdeu a capacidade de giro de capital, teve que usar dinheiro para pagar as certidões atrasadas e isso poderia impedir a realização de obras. Ela Tem tanto interesse público quanto social, tem que olhar com carinho.

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GMT: Prefeito, vamos chegando ao fim. Antes, gostaria que fizesse uma reflexão e apontasse: para onde caminharemos em 2018? Com menos crise, mais estabilidade, mais orçamento...

Pátio: As perspectivas são muito boas. Vejo que vai depender muito mais de mim, como gestor. Conseguimos um grande apoio em projetos, e depende de nós colocar em prática. Já estamos intensificando e buscando recurso. 2017 foi um ano de estruturação, 2018 será um ano de resultado.