18 de Junho de 2018 às 14:59

À PF, prefeito de Cuiabá revela que "caiu em armadilha" e sofre chantagem de ex-chefe de Silval

Emanuel Pinheiro reforçou que esteve na sala de Sílvio Correa para tratar de pagamento de delator ao Instituto de Pesquisas do irmão

Gazeta MT

"Caiu em uma armadilha". Esta é a alegação que o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) faz do caso em que foi flagrado em um vídeo, recebendo dinheiro de Sílvio Cezar Correa, ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa. A reportagem é Leonardo Heitor, do site Folhamax.

O chefe do executivo estadual voltou a negar que o montante recebido fosse de propina e disse que o objetivo de Silvio era tentar chantageá-lo. As declarações foram feitas em depoimento dele junto à Polícia Federal, no inquérito que investiga o caso.

O caso ficou conhecido como "escândalo do paletó", já que no momento em que o atual prefeito, que na ocasião ainda era deputado estadual, recebe o dinheiro, um dos maços cai no chão, quando ele tenta colocar o montante no bolso do terno. Emanuel reafirmou que foi ao gabinete receber uma dívida de Silvio e Silval com o Instituto Mark, instituto de pesquisas de propriedade do irmão de Emanuel, Marco Polo Pinheiro, o Popó.

"O Declarante se dirigiu ao Palácio Paiaguás, onde encontrou outros parlamentares, mas não achou nada de estranho, pois sempre foi comum a presença de parlamentares; que pouco tempo após chegar, Silvio viu o Declarante e o chamou para entrar no gabinete; que foi esse momento que foi gravado no vídeo apresentado por Silvio e que é objeto da investigação; que no vídeo não se fala expressamente no motivo da presença do Declarante ali, pois o assunto já havia sido discutido várias vezes com Silvio", afirmou Emanuel, no depoimento.

Na sequência do depoimento, Emanuel afirmou que não sabia por quais motivos os outros deputados estavam no local, e que só sabia que o encontro solicitado por Sílvio era para resolver a questão de Popó. O prefeito chegou inclusive a declarar que esperava que o ex-chefe de gabinete de Silval faria apenas uma proposta de acordo.

"Na sala, Sílvio falou rápido com o Declarante e já apresentou o montante ao Declarante; que o Declarante ressalta que tanto não estava preparado para receber pagamento em espécie, que foi até o Gabinete sem levar nada para acondicionar o dinheiro; que recebeu a quantia entregue por Sílvio Correa sem conferir, pois seu irmão Marco Polo não chegou a precisar quanto Sílvio e Silval deviam a Marco Polo, assim, qualquer valor pago já seria um atenuante que ajudaria num acordo final entre eles, acabando com o conflito que estava preocupando o Declarante", afirmou Emanuel, à Polícia Federal.

Para Emanuel, a intenção de Sílvio César era chantageá-lo, e que por conta disso, ele teria caído em uma armadilha, elabora segundo ele, com antecedência pelo ex-chefe de gabinete. O prefeito também alegou que nunca soube de qualquer acerto entre os deputados estaduais e Silval Barbosa sobre pagamento de propina relativa ao programa MT Integrado, ou a algum mensalinho. "Hoje, depois de todo ocorrido, especialmente após a divulgação do vídeo na mídia e a deflagração da operação policial, o Declarante tem convicção que caiu numa armadilha, pensada por Silvio, a fim de prejudicar o Declarante, em razão da briga que Marco Polo e ele tiveram; que tem convicção também, que Sílvio gravou o Declarante no vídeo, na mesma ocasião em que atendia outros parlamentares, para ter algo com o que chantagear o Declarante; que reforça que Sílvio fez isso de caso pensado; que afirma que embora tenha sido gravado no vídeo por Sílvio, a presença do Declarante ali estava totalmente fora do contexto do que foi delatado", afirmou Emanuel.