11 de Julho de 2019 às 08:28

Juiz acata denúncia e Arcanjo e demais presos por envolvimento com o jogo do bicho viram réus

A operação, deflagrada em 29 de maio, prendeu membros dos dois grupos Colibri de Arcanjo e FMC Ello de Coutinho.

Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

O juiz Jorge Luiz Tadeus Rodrigues, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, acatou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) e tornou réu o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro e demais presos na operação Mantus, acusados de envolvimento com lavagem de dinheiro e jogo do bicho em Mato Grosso.

A denúncia foi feita pelo MPE no dia 14 de junho, sendo acolhida pelo magistrado no último dia 4.

Além de Arcanjo, tornaram-se réus seu genro Giovanni Zem Rodrigues, o empresário Frederico Müller Coutinho e mais 30 pessoas presas na operação deflagrada em 29 de maio.

Arcanjo e Giovanni são apontados nas investigações como líderes da organização Colibri. Já o empresário Frederico é o responsável pela FMC ELLO. Os dois grupos se rivalizariam no controle da jogatina no Estado.

De acordo com o magistrado, há materialidade dos crimes descritos e fortes indícios da autoria dos delitos por parte dos investigados.

“As provas até agora colhidas indicam para participação dos réus na organização criminosa, apontando veementes indícios da autoria materialidade delitiva, de modo que, ao meu sentir, permanecem inalterados fortalecidos os fundamentos que levaram ao decreto da prisão preventiva destes réus”, diz trecho da decisão.

Consta ainda que os promotores pediram para que os bens móveis e imóveis apreendidos durante a operação fossem repassados para o Estado. No entanto, o pedido não foi analisado pelo juiz.

"Quanto ao pedido de decretação de perda de todos os bens móveis imóveis, objeto da Medida Cautelar n. 575487, em favor Estado de Mato Grosso, postergo a sua análise por ocasião da sentença penal”.

Operação Mantus

A operação foi deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) juntamente com a Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz), investiga dois grupos – Colibri e FMC Ello - que, segundo o inquérito, disputavam entre si o comando do jogo do bicho em Mato Grosso.

As investigações iniciaram em agosto de 2017, após a polícia receber denúncias sobre a contravenção penal denominada “Jogo do Bicho”.

63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar foram cumpridos na manhã desta quarta-feira.

As ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e em mais 5 cidades do interior do Estado e expedidas pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.

Foram decretados os bloqueios de contas e investimentos em nome dos investigados, bem como houve o sequestro de ao menos três prédios vinculados aos crimes investigados.

Os suspeitos vão responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.