4 de Junho de 2018 às 15:08

“O Brasil precisa de um pacto de governabilidade”, afirma Fávaro

Líder do PSD enviou texto à imprensa e falou sobre papel do Congresso Nacional

Gazeta MT

Diante da crise econômica que se agravou no país com a greve dos caminhoneiros, o presidente regional do PSD e pré-candidato ao Senado, Carlos Fávaro, se manifestou e disse que o Brasil precisa de um pacto de governabilidade para que os efeitos da crise não sejam ainda maiores. Para ele, o papel do Congresso Nacional é fundamental, e tanto o Senado quanto a Câmara Federal devem se reunir com os governantes para cobrar responsabilidades. 

 "A economia do Brasil estagnou, mas não somente por conta da greve, mostrou a fragilidade de um governo que não tem mais capacidade de gestão. Por isso, o Congresso Nacional, que é o guardião das grandes decisões, deve tomar frente desse processo porque senão a economia vai se desestabilizar ainda mais e serão os brasileiros que pagarão essa conta. Tenho muito receio que todo esse movimento resulte em uma queda da força econômica, falência de empresas e atraso de salários", pontuou.

Fávaro fez questão de ressaltar que o direito à manifestação é legítimo e ocorreu pela falta de diálogo. "Eu já vivi um momento como esse, quando em 2005, participei do movimento do agronegócio no 'Grito do Ipiranga', mas depois percebemos que não tivemos grandes resultados. Agora, aparentemente, os caminhoneiros conseguiram obter as reivindicações pleiteadas, mas isso terá desdobramentos muito difíceis para o Brasil", disse ele, que já presidiu a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja-MT).

Segundo ele, o movimento resultou em violação de leis de princípios básicos de mercado com o tabelamento de preços de combustíveis e de fretes. "Isso já ficou demonstrado que não deu certo no Brasil, com o Plano Cruzado em 1986, assim como em Cuba e na Venezuela. O mercado tem que ser soberano. Com essa crise, o realinhamento da economia vai demorar, pelo menos, uns 60 dias, isso se não houver outros desdobramentos, pois o governo não pode se ater a resolver o problema de um elo da cadeia porque quando tabela o preço de combustíveis, por exemplo, afeta outros setores".

Sobre a alta dos preços de mercadorias básicas do setor alimentício, Fávaro destaca que, por mais que digam que os valores serão reduzidos com o abastecimento, as conseqüências sentidas em médio prazo. "Quando um frigorífico deixa de abater 750 mil aves diariamente, ele também deixou de alojar 750 mil aves, ou seja, serão necessários 40, 60 dias para recompor essa situação. E se esse processo não for feito com muita sabedoria, ocasionará o desaquecimento da economia, gerando atraso de salários, desemprego e recuperação judicial de empresas".

Quanto às manifestações de brasileiros que pedem a intervenção militar no país, Fávaro é contundente. "A melhor coisa que existe é a democracia e temos que preservá-la. Nada de intervenção militar no nosso país", enfatizou.