8 de Jan. de 2017 às 13:00

Repressão a Roubos e Furtos prende 500 e indicia 3,5 mil em Cuiabá

Gazeta MT

Medidas emergenciais adotadas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso e implantadas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), da Polícia Judiciária Civil, na repressão aos crimes patrimoniais, em Cuiabá, tiveram efeito com a prisão de 485 autores de roubos e furtos, muitos deles cometidos em residências e também de assaltos que evoluíram para latrocínios, com a morte de vítimas.

As prisões de quase 500 pessoas (192 em flagrantes, 211 preventiva e 79 temporária), estão inseridas em ações diárias  e operações deflagradas de investigações da Derf, além de trabalhos desenvolvidos de forma conjunta pela Delegacia da Polícia Civil e a Polícia Militar, dentro das parcerias desenvolvidas com os Batalhões na troca de informações.  

"Hoje o foco da Segurança Pública é a integração. Dividimos Cuiabá em regiões que correspondem às mesmas dos Batalhões da PM, para facilitar essa troca de informações entre as duas instituições. Esse trabalho tem fluido e colhidos bons resultados", enfatizou a delegada titular da Derf, Luciani Barros Pereira de Lima.

Somente em ações da Derf Cuiabá foram 293 presos em cumprimento de 214 mandados de prisão preventiva e 79 temporárias. A Delegacia também já contabiliza mais de 3,5 mil autores de delitos indiciados em crimes de roubo, furto, receptação e latrocínio, dentro de 1.452 inquéritos policiais concluídos e enviados ao Judiciário.  

No universo de presos e indiciados estão pessoas que agiam isoladamente em roubos e furtos e também integrantes de quadrilhas especializadas na prática de crimes patrimoniais, que segundo as investigações da Derf, muitos, são bandidos arregimentados por criminosos que cumprem penas em presídios da capital e do interior.

Força-tarefa

Dados levantados pela Delegacia revelam o desafio da equipe de pouco mais de 80 policiais, para investigar uma média de 800 registros de roubos ao mês, fora os furtos.

A delegada titular da Derf, Luciani Barros Pereira, explicou que, por conta dessa alta demanda, o roubo a residência e o latrocínio foram eleitos como prioridade da Delegacia e são foco da força-tarefa montada pela Polícia Civil para resposta célere as famílias vítimas da crueldade dos bandidos. Os casos têm o apoio do Núcleo de Inteligência da Derf, que contribuiu para identificação e cumprimento da prisão de 57 autores.

"Elegemos como prioridade número 1 o crime de latrocínio, seguido do roubo a residência, porque, normalmente, as famílias vítimas ficam traumatizadas pelo emprego da violência", disse.

A estratégia da Delegacia foi montar uma força-tarefa para rapidamente investigar os casos de latrocínio, iniciando os trabalhos desde o local de crime, e também os roubos a residência. Nos casos de roubos em que houver a restrição de liberdade da vítima, a equipe de plantão da Delegacia é acionada, via Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciosp), para o atendimento ainda no local.

"Montamos uma equipe para somente trabalhar com os roubos a residências. Todos os casos dessa natureza são direcionados a essa equipe, que tem o apoio do núcleo de inteligência, que desencadeia as investigações", explicou.

Os latrocínios são distribuídos de acordo com a escala de delegados da unidade, mas contam com ajuda da força-tarefa na elucidação. "Praticamente 100 %  dos latrocínios que a Derf investigou estão todos esclarecidos com identificação dos autores", afirmou Luciani.

Reação da Vítima

A delegada esclarece que o comportamento da vítima durante o roubo é o principal fator que influência na morte, uma vez que a motivação do crime é a subtração de  bens de valor. "Não é uma coisa programada. Não é um desafeto como no homicídio, em que o criminoso tem alguma situação com a vítima. Eles vão com objetivo de roubar e qualquer esboço de reação da vítima, representa perigo para eles e acaba acontecendo essa tragédia. Eles entendem que estão sendo ameaçados", explica.

A orientação da Polícia é nunca reagir diante de um assalto com arma de fogo. "Quando estão com a arma de fogo, se sentem empoderados, destemidos e se a vítima reage é como se ferisse o orgulho deles. Em todos os casos, em quase 100%, o que determina essa tragédia é a reação da vítima", completa Luciani Barros.

Núcleo de Inteligência

No centro do trabalho investigativo da Derf está o Núcleo de Inteligência, que atualmente é comandado pelo delegado, Guilherme Berto Nascimento Fachinelli. Sob seu comando, o delegado destacou três importantes operações deflagradas para desarticular grupos criminosos, que agiram em diversos roubos na capital, denominadas Dilúvio I e II e Gatilho.

"As quadrilhas tinham como foco o roubo a residência, mas também não deixavam de atuar no comércio ou outro local que fosse lucrativo, dependendo da informação que tinham", disse o delegado.

As três operações cumpriram 35 mandados de prisão, contra criminosos em liberdade e também presidiários, como no caso investigado na operação "Gatilho", deflagrada em 13 de dezembro, para desarticular um grupo criminoso envolvido em roubos e homicídios cometidos do lado de fora da cadeia.

"Essas operações tinham como foco o roubo a residência e identificamos que todos os presos do lado de fora estavam cumprindo ordens de dentro do presídio", pontuou Fachinelli.

Foram identificados três detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE) e um em Barra do Garças, nas investigações iniciadas em 2015, depois do roubo praticado contra um empresário atirador esportivo. Na ocasião, os criminosos roubaram várias armas da vítima e as investigações apontaram que o crime havia sido planejado por uma organização criminosa que ordenava os crimes de dentro do presídio. Na época, duas pessoas foram presas pela participação no crime.

Segundo a investigação, o grupo foi responsável por vários roubos ocorridos em Cuiabá. Entre as ações criminosas estão o roubo em uma distribuidora, em que o objetivo era de roubar R$ 100 mil em dinheiro, roubos de caminhonetes, e roubos em residências em bairros de classe média alta em Cuiabá.

"Exceto uma mulher, todas essas pessoas que prendemos tinham passagens, não necessariamente por roubo e furto, às vezes tráfico de drogas e homicídios", afirmou o delegado.

Causas e efeitos

Os roubos e furtos são crimes patrimoniais ligados diretamente a obtenção de lucro. As causas de seu aumento têm relação direta com a crise econômica. "A crise que o país atravessa contribui em muito para o aumento. A criminalidade tem que roubar ou furtar mais para manter o mesmo padrão deles. A gente vê casos de pessoas que nunca praticaram crimes e de repente são aliciadas pela situação econômica, pelo desespero, o desemprego. Então começam praticar crimes para se manterem", analisa a delegada Luciani Barros.

Diante do cenário econômico, a delegada observa que os perfis dos autores são variados. Tem os que praticam o furto motivado pela fome, os chamados crimes famélicos - quando a pessoa pega alimentos em supermercados. "Essas são pessoas que não são contumazes na prática de crimes, mas estão cometendo em virtude da própria situação financeira do país", destaca.

Tem também os criminosos que fazem do roubo e furto um meio de vida. "Escolhem porque é uma modalidade lucrativa. Esses indivíduos sim, normalmente, são contumazes e cada vez mais aumentam o grau de violência e também se especializam em determinado segmento”, analisa a delegada.  

Para os profissionais da Derf, as dificuldades são muitas, mas esclarecer um roubo e dar uma resposta as famílias é algo gratificante.

"A sociedade pode contribuir denunciando e também fazendo aquela 'camaradagem' com o vizinho. Cuidar da casa do vizinho quando ele estiver fora ou viajando, observar carros parados e anotar placas ou características de pessoas em atitudes suspeitas e acionar a Polícia. Precisamos pensar que amanhã pode ser a sua casa ou de um parente. Hoje as pessoas têm essa postura individualista, mas precisa pensar que amanhã poderá ser ela uma vítima. E assim, com informações, poderá ajudar nas nossas investigações ou na prevenção desses crimes", orienta a Luciani Barros.  

Receptação

 A receptação é o principal delito que fomenta a prática dos crimes patrimoniais. O roubo e/ou furto acontece porque alguém adquire o produto, muitas vezes sabendo da origem ilícita. Outras, inocentemente, acreditando estar ganhando, devido o valor abaixo do mercado.

"O cidadão precisa tomar cuidado, exigir nota fiscal e desconfiar de ofertas vantajosas. Hoje temos muitos sites que comercializam esses produtos ilícitos. Pode estar incorrendo na receptação. Isso é crime", afirma a delegada Luciani Barros.