26 de Set. de 2017 às 07:59

Com Dodge no comando, PGR vai analisar gravação que pode anular delação

Áudio encontrado na casa de Emanuel Pinheiro sugere vazamento seletivo e inocência de prefeito de Cuiabá

Gazeta MT

No último dia 21 de setembro, por determinação da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o áudio encontrado na casa do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro durante a Operação Melebolge, da Polícia Federal -PF, foi encaminhado à perícia técnica.

Dodge quer precisão quanto a possível edição e adulteração do conteúdo. Nele, o ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Silvio César Corrêa, conversa com o ex-secretário de Indústria e Comércio do Estado Alan Zanatta, que gravou o diálogo sem que o primeiro soubesse.

Foi Corrêa o responsável pelos vídeos de políticos do Estado enchendo bolsos, malas e mochilas com dinheiro, suposta propina. O "mensalinhos" pagos a deputados, prefeitos e demais aliados foram registrados em vídeo e entregues como parte do conteúdo da delação do ex-governador. 

Corrêa, porém, provou no próprio veneno no último dia 28. Durante um encontro com Zanatta, o delator revela Corrêa que o valor que teria de devolver aos cofres públicos, cerca de R$ 500 mil, seria pago por Silval Barbosa, diferentemente do que consta no acordo de delação. Assume, ainda, ser dono de um garimpo, que ocultou da PGR. "O momento é... complicado para todo mundo (...) mas, também acho que ele não tem essa mobilidade que ele tinha antigamente. Mas pelo menos tô com um garimpo né", diz trecho do áudio.

Sobre as informações fornecidas no primeiro acordo de delação, homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, Corrêa disse: "Só isso, só isso e falei algumas coisas que eu quis. Só.". Foi Fux quem classificou a delação de Silval e Corrêa como "monstruosa".

Se confirmada a omissão ou o vazamento seletivo nas delações prestadas por Corrêa e Silval, o acordo pode ser anulado.

Defesa

A defesa de Silvio Corrêa contestou a gravação feita por Zanatta. "Em nenhum momento o colaborador Silvio afirma que elas estão fora de contexto, pois quem menciona isso é o próprio Alan Zanatta, na frustrada tentativa de a qualquer custo produzir prova supostamente no interesse da defesa de Emanuel Pinheiro", diz trecho da nota. "Trata-se de nítido caso de pagamento de propina ao então deputado Emanuel Pinheiro (atual prefeito) e aos demais deputados que compareciam para receber propina em uma verdadeira fila indiana", completa.