9 de Abril de 2019 às 08:46

Em Primavera do Leste, Eduardo Bolsonaro pede que produtores não abandonem governo do pai

De Rondonópolis - Robson Morais

Em um evento agrícola na cidade de Primavera do Leste na última semana, o deputado federal Eduardo Bolsonaro -PSL/RJ pediu aos produtores rurais para que não abandonem o governo do pai, Jair Bolsonaro -PSL. O apelo se dá em meio a série de descontentamento dos diversos setores econômicos com o novo presidente da República, entre eles o do agronegócio.

A mais recente briga ruralista com o atual governo, já não é novidade, se deu por criancice de outro filho. Enquanto Jair fingia saber o que faz em Israel, Flávio postou em sua conta oficial no twitter: "Eu quero que vocês se explodam", em resposta ao grupo islâmico Hamas, crítico da visita internacional do presidente.

Ocorre que o mundo árabe é um dos principais compradores ao agronegócio brasileiro. O setor teme uma retaliação de países árabes à exportação de carne brasileira. O Brasil é hoje o maior exportador global de proteína halal - preparada de acordo com as tradições islâmicas. O mercado consumidor do produto reúne 1,5 bilhão de muçulmanos.

A raiva foi tanta que o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária -FPA, deputado Alceu Moreira -MDB/RS soltou o verbo: "Chega dos meninos do Bolsonaro, não dá mais". E completou: "Acabou a paciência".

Para contornar a crise, o "zero três" dos filhotes se aproveitou do evento para se aproximar de um público formado, principalmente, por produtores rurais e políticos do município. "Precisamos da ajuda de vocês. Tenho certeza que vamos fazer o melhor por esse país. Se nós errarmos, não será para passar a mão na cabeça de corruptos. Agora, se nós fizermos tudo o possível, e o Congresso não aprovar a reforma da Previdência, vai chegar o momento em que vamos ter que cortar salário de aposentados", apelou.

Apesar das eleições terem acabado em outubro de 2018, Eduardo manteve o tom de campanha eleitoral. O deputado chegou a apresentar um vídeo que fez durante a disputa, no qual faz impetuosa defesa aos produtores rurais e acusava os produtores sem-terra ligados a movimentos como o MST, de "terroristas".

Na maior parte do discurso, Eduardo atuou como advogado de defesa de seu pai a um "júri", que ainda mantém total simpatia pelas ideias conservadoras do presidente e sua grei. Eduardo voltou a fazer críticas à agenda da esquerda, falou mal do governo do PT, chamando os ex-presidentes Lula e Dilma de comunistas. Também defendeu o uso de armas.