Carta de despedida de Rondonópolis
01 de Outubro de 2012, 12h27
O Adeus das belezas e das esperanças
De Rondonópolis levarei comigo a beleza do pôr do sol no Rio Vermelho - pois este os homens não puderam destruir -; levarei ainda comigo a força de renovação do cerrado, que é uma prova da natureza dada aos homens de que tudo pode recomeçar, e das cinzas, produzir flores e frutos; levarei no coração os meus amigos, que sempre me apoiaram quando precisei; e, levarei o mais importante, um amor, que estará sempre em meu coração e em todos os caminhos que traçarei.
Do mais, levarei a minha desesperança: os 'caciques' e os 'deputados 20%' sempre estarão no poder, enriquecendo e roubando a vida e a democracia de uma população.
Infelizmente é de Rondonópolis que levo em meu coração a certeza da impunidade, a ardileza dos que querem manter o poder a qualquer custo, mesmo que vidas se vão e outras se desmanchem em barracas de lona, sem perspectiva.
Também é de Rondonópolis que levo a certeza de que quem luta pelo povo somente tem a perder e aqueles que lutam contra a 'máfia' precisam se esconder e fugir.
Aqui a nossa 'democracia' é o exemplo claro de sua inexistência. Falam e mandam os poderosos e se cala o povo e a imprensa. Quem se atreve a nadar contra a corrente é massacrado: seja publicamente, com o apoio de meios de comunicação que se comprometem apenas com os donos do 'Estado'; seja por ameaças, intimidações e execuções.
Para Rondonópolis deixo apenas o desejo de dias melhores, quando os 'coronéis' possam ser destronados e perderem suas coroas de Reis. Quem sabe quando isso acontecer, a população compreenda o que é uma verdadeira Democracia.
Mesmo longe daqui continuarei tendo a esperança de que o povo dessa cidade maravilhosa, que vieram para cá de todos os cantos do País encontrem a qualidade de vida que buscam. Força sempre!!!!
Danielly Tonin
Jornalista