Na telinha
Debate na TVCA foi marcado por propostas e poucas provocações
Candidatos evitaram ataques e destacaram programas; assuntos variaram das obras da Copa até a farda da Polícia Militar
01 de Outubro de 2014, 11h03
Quem esperava um clima quente, com agressões mútuas entre os principais candidatos ao governo do Estado, se enganou. O debate realizado ontem (30) pela TV Centro América, o último antes da eleição de domingo, teve algumas provocações e foi marcado principalmente pela tentativa de discutir propostas.
A conduta dos candidatos surpreendeu, até porque o formato adotado pela emissora priorizava o confronto direto. Os dois primeiros blocos foram destinados a perguntas entre eles, com temas livres e ou pré-determinados.
Lúdio Cabral (PT) abriu a discussão perguntando a Pedro Taques sobre infraestrutura. O petista defendeu o programa MT Integrado, executado pela atual gestão e prometeu investir mais em rodovias. Taques também elogiou o MT Integrado, mas afirmou que é preciso ampliar também os investimentos em outros modais - com destaque para as hidrovias e ferrovias.
Depois da pergunta inicial, Taques e Lúdio, que lideram as pesquisas de opinião, se evitaram. Com uma estratégia aparentemente focada em evitar polêmicas, eles destinaram as perguntas seguintes aos candidatos José Roberto (Psol) e Janete Riva (PSD) - que acabaram tendo um destaque inesperado no debate.
Janete Riva aproveitou a sua primeira pergunta para destacar a proposta de criar o Bolsa Família Estadual. Após questionar Lúdio Cabral sobre a importância do programa criado pela gestão do PT no Governo Federal, ela reafirmou que pretende usar parte dos recursos hoje destinados aos incentivos fiscais para dobrar, com recursos do Estado, os valores pagos às famílias já cadastradas no programa.
Ela também prometeu que estas famílias terão apoio do MT Fomento e cursos de qualificação para se inserirem no mercado. "Vamos dar o peixe, ensinar a pescar e pôr o anzol. A isca quem vai escolher é o próprio beneficiário", declarou.
Copa e Segurança
Já o candidato do Psol teve seus melhores momentos na discussão de questões como a carga tributária, as obras da Copa e a regularização fundiária. Escolhido por Lúdio e Taques, ele defendeu a simplificação dos impostos, a cobrança da compensação da evasão fiscal causada pela 'Lei Kandir' e também a auditoria das obras da Copa do Mundo.
"Precisamos esclarecer tudo. Temos obras que foram entregues sem qualidade e outras que já se transformaram em incógnitas, já que estão atrasadas e ninguém sabe quando ficarão prontas", disse ele.
Lúdio Cabral defendeu as obras da Copa e evitou falar em auditoria. O petista disse que, se eleito, fará um levantamento para averiguar questões como o andamento e a qualidade das obras. Segundo ele, apesar dos problemas os investimentos visando a Copa do Mundo permitiram resgatar décadas de falta de investimentos em infraestrutura na capital de Mato Grosso.
A questão da segurança pública surgiu em uma pergunta feita por Janete Riva a Pedro Taques. Ela disse que ser for eleita decretará a volta das antigas fardas e criará um auxílio funeral para as famílias de policiais mortos em serviço. O pedetista também criticou a mudança nas fardas e elogiou a proposta de auxílio funeral , mas defendeu outras ações na área.
"O auxílio é importante, mas prefiro investir para garantir que os policiais não sejam mortos. Para isso precisamos de mais treinamento e equipamentos. As armas usadas pelas nossas polícias estão defasadas, os coletes à prova de bala tem qualidade questionável e até os carros alugados pelo governo não são apropriados para a segurança", destacou.
Taques também defendeu investimentos no sistema penitenciário, a adoção das tornozeleiras eletrônicas e ações paralelas, nas áreas de Educação e Assistência Social, como forma de combater a violência e a criminalidade.
Corrupção e Desenvolvimento
A questão da corrupção foi abordada por iniciativa de Lúdio Cabral em pergunta endereçada ao candidato do Psol. José Roberto considerou que a situação se agravou nos últimos anos e reclamou da impunidade. Para ele, além das ações policiais, é preciso também ações do próprio governo no sentido de reforçar o controle interno.
Lúdio Cabral, que tem o apoio do governador Silval Barbosa cujo governo é alvo de várias denúncias de corrupção, reconheceu que é preciso melhorar a gestão interna e disse que pretende também criar mecanismos de controle externo para que a sociedade ajude a fiscalizar.
Janete Riva e Pedro Taques protagonizaram a discussão sobre desenvolvimento social e Educação. Ela criticou a classificação ruim dos municípios de Mato Grosso no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), problema que, segundo Taques, é resultado da falta de investimentos do Governo do Estado.
"O Estado tem que cooperar. Não pode, por exemplo, atrasar os repasses para a Saúde como faz a atual gestão. É preciso também dar uma atenção especial aos municípios menores, que não contam com as vantagens proporcionadas pelo agronegócio. Ninguém pode ficar para trás", provocou.
Os dois candidatos também falaram sobre Educação. Janete Riva prometeu implantar lousas digitais e estabelecer a meritocracia. "Nas escolas que tiverem melhor desempenho vamos premiar toda a equipe, das merendeiras até o diretor", prometeu.
Já Taques disse que pretende implantar os programas 'Anjos da Escola' e 'Saúde na Escola', além de realizar concursos públicos para garantir estabilidade aos profissionais da educação