DEU PMDB

Eunício Oliveira é eleito presidente do Senado

Senador favorito do Planalto venceu 61 por votos a 10

por Robson Morais

01 de Fevereiro de 2017, 18h46

Eunício Oliveira é eleito presidente do Senado
Eunício Oliveira é eleito presidente do Senado

Por 61 votos a 10, o Senado Federal decidiu o peemedebista Eunício Oliveira como novo presidente em exercício no biênio 2017/2018. A eleição foi encerrada agora há pouco na Casa de Leis. Dez votos ficaram em branco.

Eunício derrotou o senador mato-grossense José Medeiros (PSD), dado como o "azarão" na disputa pela presidência. Medeiros confirmou candidatura em atendimento a pedidos de parte da casa insatisfeita com o candidato do PMDB. Em contrapartida, era Eunício quem detinha da maior bancada, tido como o candidato preferido, inclusive, do Planalto.

Medeiros buscou costurar por fora. Em carta enviada aos 80 senadores, apresentou propostas e se lançou como via alternativa, de olho no voto dos indecisos. Em seu discurso de abertura na eleição, amenizou a possível rivalidade. "Seja quem for o eleito na data de hoje teremos que buscar rumos. A política é o celeiro dos sonhos do povo brasileiro, a expectativa de mudança, esperança de novidade. Portanto, sejamos plantadores de sonhos (...). Minha candidatura é uma opção, mas não será uma luta de MMA".

Histórico

Segundo senador mais rico no exercício do cargo, Eunício Oliveira declarou em 2014 um patrimônio aproximado em R$99mi. Parte da fortuna, diz, foi ampliada por meio de negócios com o próprio Governo Federal, época de suas funções públicas. As duas principais empresas do peemedebista, atuantes nos setores de limpeza e vigilância, têm contratos de R$ 703 milhões com bancos controlados pela União, como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Os valores somam-se, ainda, a pactos vinculados a órgãos como o Ministério da Saúde e Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit). Entre 2010 e 2014, o patrimônio declarado por Eunício quase triplicou. Em 2010, quando concorreu ao Senado, ele reportou à Justiça eleitoral ter bens de R$ 36,7 milhões, valor que saltou para os R$ 99 milhões informados quatro anos depois, época da campanha derrotada ao Governo do Ceará.

Eunício também figura entre os apontados nas delações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Segundo depoimento do ex-diretor da empreiteira Claudio Melo Filho, duas parcelas de R41mi foram pagas ao senador entre outubro de 2013 e janeiro de 2014. O valor seria contrapartida à aprovação da medida provisória 613, que tratava de incentivos tributários.

Em outra delação, fechada pelo ex-diretor da Hypermarcas Nelson Mello à Procuradoria Geral da República, o relato é o de que Eunício de Oliveira recebera, por meio de contratos fictícios, R$ 5 milhões em caixa 2 para a campanha do peemedebista ao Governo do Ceará, em 2014. Relatou também que a ajuda financeira foi solicitada por um sobrinho do congressista, de nome Ricardo.

"Delatores inventam"

Eunício nega que tenha recebido os valores. Vai além, diz que "no desespero, delatores inventam". No listão de apelidos da Odebrecht, o senador seria o "Índio".

O senador peemedebista minimizou a acusação do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho. "A MP 613. Não fui presidente da MP, não fui líder, vice-presidente, relator, não fiz uma emenda supressiva ou aditiva... Raciocine um pouquinho: você não me conhece, nunca me viu, como eu te estuprei?", questionou em entrevista recente.