'Caso Jailton' confirma suspeitas de abusos e exige resposta do Poder Público
01 de Março de 2014, 04h00
Deselegante, grosseira, abusiva...desnecessária. Pode se usar a palavra que quiser para descrever a atitude do agente de trânsito que multou o cidadão Jailton de Lucena Dantas por ocupar uma vaga destinada aos idosos, em frente à Câmara Municipal. Mas a história toda só confirma a flagrante distorção no modo como alguns servidores públicos enxergam o cidadão.
Por acaso Jailton é vereador. Por acaso é também vice-presidente do Conselho Municipal do Idoso. Mas, não por acaso, tinha o direito de ocupar aquela vaga. Ele fará 64 anos em junho próximo e, conforme o Estatuto do Idoso, merece respeito especial de todos nós - principalmente de quem ganha a vida recebendo dinheiro público.
Ao ignorar o apelo de várias testemunhas e a documentação apresentada pelo próprio idoso, exercendo autoritariamente o poder de punir, o agente esqueceu-se que sua função primária é orientar e, claro, garantir que a lei funcione EM FAVOR do cidadão. O fato é que, se acontece isso com um sexagenário tão proeminente como Jailton, chega a dar arrepios o que podem estar enfrentando os idosos menos conhecidos e esclarecidos.
É nestas horas que entendemos porque a gestão pública não pode ser meramente técnica. É preciso o conteúdo político e humano para garantir que a burocracia e as rotinas administrativa e legais não sejam usadas contra a sociedade e os cidadãos.
O caso de Jailton é emblemático. E, espera-se, os desdobramentos assegurem que não tenhamos mais a repetição de abusos cometidos por servidores públicos contra idosos, deficientes ou qualquer outro cidadão rondonopolitano.