Em Rondonópolis
PPS recebe fiiação de Juca Lemos e ressalta importância da luta contra a Ditadura Militar
Ex-fundador do PT, Juca Lemos estava sem partido desde o ano passado; membros do PPS destacaram atuação do novo filiado contra a Ditadura
01 de Abril de 2014, 14h38
Depois de ajudar a fundar o Partido dos Trabalhadores em Rondonópolis e construir uma carreira associada ao PT, Juca Lemos está de 'casa nova'. Ontem (31) ele oficializou sua filiação ao Partido Popular Socialista (PPS) numa reunião marcada por declarações de apoio e muitas menções à Ditadura Militar - que na mesma data completava 50 anos.
Juca Lemos já foi vereador em Rondonópolis e nas eleições municipais de 2012 disputou a prefeitura pelo PT. No ano passado ele assumiu a coordenação do Procon e, no segundo semestre de 2013, anunciou seu desligamento do PT alegando questões pessoais.
"Não houve traumas na minha saída do PT. Respeito e desejo sorte a todos eles, que souberam entender a minha decisão. Optei pelo PPS também de forma livre e por muitas razões. A principal delas é que não poderia ficar em cima do muro, atrás da porta, na cômoda posição de não ter posição", afirmou.
Juca Lemos lembrou que o PPS é fruto do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e tem em seu programa partidário a defesa do socialismo. Ele também destaca o fato da legenda ser presidida em Mato Grosso pelo atual prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz, de quem é amigo há mais de 33 anos.
"Conheci o Percival no início da década de 80. Já tivemos muitos embates políticos duros, mas sem ataques pessoais e nunca baixamos o nível. Neste período também fomos aliados em muitas lutas contra as elites e em favor do povo. Espero que agora, no mesmo partido, tenhamos ainda mais forças para enfrentar os desafios que temos aqui em Rondonópolis e em Mato Grosso", avaliou.
Em conversa com a reportagem do Gazeta MT, Juca Lemos voltou a negar que tenha interesses eleitorais na nova legenda e considerou a escolha da data para a filiação foi uma 'feliz coincidência'.
"Deixei para me filiar após os prazos definidos pela Justiça Eleitoral exatamente para que ninguém pensasse que havia interesse em me candidatar a deputado estadual. Por outro lado, achei ótimo que esta filiação ocorresse exatamente na data que marca os 50 anos da Golpe Militar. Podemos assim fazer um contraponto, destacando a importância da luta pela liberdade", avaliou.
Ditadura
Durante a reunião várias lideranças saudaram a filiação de Juca Lemos e aproveitaram para comentar os anos de arbítrio sob a Ditadura Militar. Alguns presentes lembraram que familiares de Juca Lemos foram presos e torturados pelo regime que comandou o país por mais de 20 anos. Outros destacaram que a Democracia é a maior conquista que uma nação pode almejar e, portanto, merece vigilância permanente.
A presidente do diretório municipal do PPS, Ádria Muniz, fez um relato das dificuldades enfrentadas pelas pessoas que ousavam se opor aos militares. Para ela, é fundamental que as forças democráticas permaneçam atentas e se unam para consolidar a democracia brasileira.
"Não podemos nunca nos esquecer da violência da Ditadura Militar e das pessoas que lutaram ou deram suas vidas para garantir que hoje tenhamos liberdade para escolher nosso próprio destino. O Juca Lemos faz parte dessa história de lutas e, também por isso, ficamos honrados em tê-lo conosco", disse Ádria Muniz em tom emocionado.