POLÍTICA PÚBLICA

Contrariando o vice, Pátio desloca servidores do Caps para a Educação

Decisão foi confirmada via assessoria um dia após pedido contrário de Associação na Câmara

por Robson Morais

01 de Junho de 2017, 08h16

Contrariando o vice, Pátio desloca servidores do Caps para a Educação
Contrariando o vice, Pátio desloca servidores do Caps para a Educação

Um dia após o pedido feito por representantes da Associação Rondonopolitana de Pessoas com Transtorno Autista (ARPTA) aos vereadores na Câmara, a Prefeitura confirmou em nota o retorno de servidores provisoriamente realocados no Centro Atenção Psicossocial Infantil Especializado, o Caps, para a Educação.  De um lado perde a população que necessita do atendimento, de outro pode perder o prefeito José Carlos do Pátio -SD, pressionado e com quase nenhum apoio do Legislativo.

Ao que parece, Pátio quer bater de frente. Segue a pressão entre os Poderes municipais e clima tenso dentro do próprio Executivo. Na Câmara, é de conhecimento do meio político, Pátio conta atualmente com o apoio de apenas dois vereadores. No início do mandato tinha, em tese, o apoio dos dez vereadores que não aderiram ao chamado bloco dos onze que tomaram para si a Mesa Diretora da Casa, mas, pouco a pouco, foi perdendo aliados. Perfil do atual prefeito, quer bancar a briga.

Dentro de sua própria Casa, na última semana, Pátio começou a desfazer e descumprir medidas tomadas pelo vice-prefeito de Rondonópolis, Ubaldo Tolentino Barros -PTB. Entre elas, a tal realocação destes mesmos servidores. Centralizador, mostrou não ter gostados das providências tomadas pelo então prefeito interino durante os cerca de 10 dias de sua ausência. O prefeito ficara internado após mal estar.

Oficialmente o argumento do prefeito via assessoria para a realocação dos servidores do Caps é outro. Preza pela melhora no serviço público. "Com isso, devem melhorar a qualidade do serviço público já que vão reforçar o atendimento a quase 300 crianças especiais que estudam na rede municipal. A prefeitura entende que os serviços destes servidores serão aplicados com maior eficiência na Educação", diz em nota.

"Já com relação ao CAPS Infantil, a prefeitura adianta que está analisando a atual situação e destaca que não tem medido esforços no sentido de viabilizar o melhor atendimento" segue a Prefeitura.

Reunião na Câmara

Segundo as representantes da ARPTA, uma equipe multidisciplinar foi destinada para atender no Caps e esta foi ordem foi revogada sem qualquer explicação, interrompendo os trabalhos que vinham sendo feitos com as crianças. A reunião com vereadores ocorreu ontem, 31.

"Elas pediram nossa ajuda para reverter a situação e não pensei duas vezes em trazê-las à ordem do dia para apresentar a situação aos colegas, vereadores. Todos os meus colegas foram solidários e vamos agendar uma reunião com o prefeito para buscar resolver esta demanda e, mais, apresentar as necessidades da Associação, bem como das mães de crianças com autismo", explicou o vereador peemedebista Adonias Fernandes, proponente da reunião.

Para a tesoureira da ARPTA, Elisângela Souza, a visita foi importante para mostrar o que os pais têm passado sem a ajuda da equipe de profissionais.

"As crianças estão retrocedendo por falta de atendimento. É preciso que o prefeito reveja esta situação. Também queremos apresentar um projeto de construção de uma clínica escola para autistas e uma auxiliar para acompanhar as crianças em sala de aula. É preciso que o prefeito nos receba e a visita [aos vereadores] foi importantíssima para que consigamos agendá-la", disse.

A mãe Márcia Ferreira explicou que a luta é grande e que a falta de atendimento prejudica no desenvolvimento das crianças. "Uma consulta é cara e há crianças que precisam de ajuda até para colocar a roupa após ir ao banheiro. Aí me explica: como não ter uma auxiliar em sala de aula? Precisamos da ajuda dos vereadores, mas  saímos daqui satisfeitas com a forma que fomos tratadas."

Elisângela Souza agradeceu ao presidente da Câmara Rodrigo da Zaeli (PSDB) a receptividade e deixou um convite. "Queremos que o senhor vá conhecer nosso projeto, acompanhar um dia de trabalho da equipe junto às crianças. Precisamos que você sinta na pele e traga para seus colegas nossa realidade", concluiu.