“GOSTO DE CAIXÃO VELHO”
Medeiros critica manutenção de direitos políticos de Dilma mesmo após condenação
01 de Setembro de 2016, 10h00
Revoltado com o fato da ex-presidente da República, Dilma Rousseff (PT), que acaba de ter o mandato cassado, ter mantido seus direitos políticos, conforme votação do Senado, nesta quarta-feira (31), o senador por Mato Grosso José Medeiros (PSD) disparou em redes sociais e entrevistas à imprensa que se sente traído e envergonhado pelo acordo feito pelo PT e PMDB para evitar que a petista ficasse inelegível, e anuncia que pode passar a fazer oposição ao governo do presidente Michel Temer (PMDB), o qual vinha apoiando.
"Passo imediatamente a repensar meu apoio ao atual governo que hoje toma posse. Não é assim, por meio de conchavos, que eu penso política", disse Medeiros.
O senador pontuou que, assim como ele, grande parte dos 61 senadores, que votaram a favor do impeachment de Dilma, pode aderir a um "racha" na base de Temer, e frisou que para ele manter os direitos políticos da ex-presidente é o mesmo que "rasgar a Constituição".
"A forma como o PMDB se comportou aqui hoje, fazendo esse puxadinho para rasgar a constituição brasileira, porque o artigo 52 é claro: a perda do mandato com a perda dos direitos políticos, como foi o presidente [Fernando] Collor. Então a gente viu que pau que deu em Collor não deu em Dilma", protestou.
Para o senador, o acordo entre PT e PMDB é o indicativo de que a atuação do governo federal não vai mudar com a saída de Dilma.
"Nós fizemos um pacto de limpar o Brasil. Um pacto de ajudar o presidente Temer a ter condutas diferentes. Não dá para continuar na mesma coisa", reclamou o senador, que finalizou comparando seu sentimento a boa parte da população brasileira.
"Eu saio daqui com vergonha, decepcionado, e creio que essa é a sensação do povo brasileiro: com gosto de caixão velho na boca."
Com informações Repórter MT