JOAQUIM BARBOSA
“Paladino” do Mensalão chama Temer de coitado e diz que impeachment é patético
01 de Setembro de 2016, 08h00
Ainda morando fora do Brasil, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, antes tarde do que nunca, deu as caras. O paladino de outrora, tempos de Mensalão, utilizou suas redes sociais para criticar duramente o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Sobre Temer, coube o adjetivo "coitado".
Barbosa se afastou do STF logo após o julgamento do processo que condenou, entre outros, líderes do então governo Lula, José Dirceu e José Genoíno. Ainda no processo, acabaram condenados articuladores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) atuantes dentro e fora do governo.
Tempos em que o STF mais se parecia com um programa de auditório, onde os canais de TV determinavam os quadros que seriam exibidos. Fora o julgamento do mensalão talvez o mais midiático que se tem registro, sob a batuta de um televisivo imponente Joaquim Barbosa, desfilando leve envolto a sua capa preta de super-herói do Brasil.
Mesmo antes do fim do processo, porém, Barbosa saiu de fino. Ainda em 2014, antecipou férias e aposentadoria. Embarcou no primeiro voo para Milão, na Itália. De lá, não saiu tão cedo.
Eis que ressurge ao palco o ex-presidente, com comentários dirigidos especificamente ao processo de impeachment que condenou Dilma pelo crime de responsabilidade fiscal cometido por meio da abertura de crédito suplementar, as chamadas pedaladas. Na visão do jurista, um "espetáculo patético".
"Não acompanhei nada desse patético espetáculo que foi o 'impeachment tabajara' de Dilma Roussef. Não quis perder tempo", afirmou. "Mais patética ainda foi a primeira entrevista do novo presidente do Brasil, Michel Temer", prosseguiu. "O homem parece acreditar piamente que terá o respeito e a estima dos brasileiros pelo fato de agora ser presidente. Engana-se" disse o agora aposentado juiz.
Ele também fez comentários em inglês e francês. "É tão embaraçoso! De repente, forças políticas altamente conservadoras tomaram o Brasil. Tomaram tudo! Dominam o Congresso. Cercam o novo presidente (um político que pode ser comparado aos velhos 'caudilhos' latino-americanos)", prosseguiu. "Eles conduzem a mídia, incluindo as emissoras de TV. Mas sabem de uma coisa? Eles não têm votos. Esperem um par de anos!", disse.
Em francês, Barbosa prosseguiu suas críticas: "Michel Temer pensa que um 'toque de varinha jurídica' lhe dará legitimidade. O pobre!"
Nesse trecho, o ex-presidente do STF usou a expressão "coup de baguette juridique", que, ao mesmo tempo em que significa "toque de varinha jurídica", inclui a palavra "coup", que em francês, separadamente, também quer dizer golpe.
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Afiado Joaquim Barbosa. Perece ter se esquecido dos tempos em que "patético" era justamente o julgamento de vossa excelência. Tão quanto agora, ou até mais, midiaticamente conduzido fora o julgamento que comandou. Hoje não assume que absolutamente nenhum réu do Mensalão do PT fora condenado sem o aval dos meios de comunicação, num julgamento transmitido em tempo real pelos canais de TV.
De tudo valia, até tese distorcida à mercê do apito. Ou, melhor, martelo do Barbosa da capa preta.