REALIDADE
Mato grosso registra baixa taxa geral de desemprego, mais jovens são a maioria
Os jovens somam 44,4%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD)
01 de Setembro de 2018, 12h00
Mato Grosso teve a quarta menor taxa de desemprego no segundo trimestre deste ano. O estado manteve a posição do primeiro trimestre, quando também ficou atrás apenas de Santa Catarina (6,5%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Rio Grande do Sul (8,3%). Apesar do universo menor de desocupados, uma característica agrava a realidade de Mato Grosso. Os jovens são a maioria entre os desempregados. Somam 44,4%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). Estudar, investir em conhecimento e cursos técnicos pode ser a saída para oportunizar uma vaga no mercado de trabalho.
Segundo especialistas, um dos problemas que levam ao cenário da desocupação é a falta de estudo, de preparo e de qualificação. Dados da Pnad 2017 indicam que o País tem 6,9 milhões de jovens com idade entre 18 e 24 anos que não trabalham nem estudam. Eles representam 30,1% da população nessa idade. O custo social e econômico dessa marginalização é elevado, aponta o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Educação: a base para a competitividade. De acordo o setor da indústria, um a cada três jovens não está avançando na sua escolaridade e na sua qualificação, dificultando a inserção e a permanência no mercado de trabalho.
Segundo Rubens Oliveira, gerente de Educação e Cultura do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Mato Grosso, a falta de uma boa formação inicial interfere na capacidade de aprendizagem desse jovem no futuro. "Os jovens formados pelo SENAI têm um diferencial, que obviamente passa pela capacidade técnica, mas tem um diferencial muito grande que é a capacidade colaborativa, de solucionar problemas, de trabalhar com a diversidade e a complexidade. A baixa escolaridade, essa baixa preparação contribui sim para que o jovem tenha mais dificuldade de acessar o mercado de trabalho e até concluir seu estudo seja no Ensino Técnico ou ensino superior", observa o gerente.
Sabendo dessa dificuldade, Wytor Marcos da Paz, de 20 anos, traçou um plano de vida ainda durante o Ensino Médio. No último ano do período, pediu para a mãe para fazer um curso técnico paralelamente ao ensino regular. Por gostar de números e contas, escolheu eletrotécnico, no SENAI. Diferentemente da maioria dos colegas de turma, que finalizaram o estudo e hoje não estão trabalhando, Wytor está empregado desde o começo desde ano. "Eu precisava de um curso bom no meu currículo para começar a trabalhar, a crescer na vida, e vi a oportunidade", conta o jovem.
Perfil como de Wytor ainda é minoria, segundo ele. Fator que prejudica a empregabilidade. "Acho muito importante curso técnico, me ajudou bastante a ter meu primeiro emprego. É um grande passo para jovens que estão terminando a escola e alguns não sabem qual faculdade que vai seguir e o curso vem ajudar bastante. Tem que buscar seus objetivos enquanto tem tempo. A gente vai ficando velho e as oportunidades vão diminuindo", pondera ele.
Entre os países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cerca de 50% dos jovens fazem educação profissional junto com a educação regular. Em países mais desenvolvidos, como Áustria, essa média chega a 73%. Pesquisador em Aprendizagem, Processos Psicossociais e Mudança nas Organizações, o professor na Universidade de Brasília (UnB) Jairo Eduardo Borges Andrade afirma que desde a metade do século passado sabe-se da importância em melhorar a qualificação para aumentar a produtividade.
"Isso aparece em função de mudanças no mundo do trabalho, em função de uma nova etapa da globalização, aparece também em função de alguns exemplos que começaram a chamar muita atenção no mundo, de casos como esse na Coreia, de como a Coreia se torna mais competitiva em função de qualificação profissional, então essas coisas estão muito ligadas", explica Jairo.
Atento a esse tipo de demanda, o setor da indústria enviou aos presidenciáveis um estudo com propostas para melhorar tanto a educação no país como a produtividade de trabalho. "A visão nossa, da Confederação Nacional da Indústria, vai muito nessa direção de estabelecer uma agenda que seja importante para a realidade brasileira, para os problemas que nós temos hoje de juventude no país. Nós temos um elevado grau de desemprego na população aberta, que está acima de 12%, mas entre os jovens, ele se aproxima de 30%. Então nós temos um grande contingente de jovens que é vítima exatamente dessa baixa capacidade de diálogo entre o nosso modelo educacional e as opções e projetos de vida dos jovens que passam pela escola", afirma o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi.