Parlasul

Deputado propõe que legalização da maconha seja discutida em bloco pelo países do Mercosul

O deputado paraguaio Ricardo Canese sugeriu que tema seja definido em conjunto por Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Venezuela

por GazetaMT

10 de Novembro de 2014, 14h36

Deputado propõe que legalização da maconha seja discutida em bloco pelo países do Mercosul
Deputado propõe que legalização da maconha seja discutida em bloco pelo países do Mercosul

Membro do Parlamento do Mercosul (Parlasul), o deputado paraguaio Ricardo Canese propôs aos demais parlamentares a abertura de um amplo debate sobre a eventual legalização da maconha e de outras drogas pelos países membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela). A proposta de Canese é discutir não apenas a produção, distribuição, comercialização e o consumo das substâncias, mas também aspectos ligados à educação e à saúde.

Para o parlamentar, é necessário coragem para discutir o assunto abertamente. "Porque não só o narcotráfico, mas, obviamente, a narcopolítica, corrompem a sociedade, criando poderes ocultos que dificultam o funcionamento efetivo das instituições democráticas. Por isso, creio ser imprescindível e urgente abrir um debate com toda a sociedade", disse Canese, hoje (10), durante a 32ª Sessão Ordinária do Parlasul. O evento ocorre em Montevidéu, no Uruguai.

Embora destaque como importante a experiência do Uruguai - que em 2013 aprovou a liberação regulada do plantio e da venda de maconha, Canese defendeu que soluções para o problema do tráfico de drogas e da violência só irão funcionar se discutidas e implementadas regionalmente.

"As drogas não conhecem fronteiras e não podemos seguir de olhos fechados para esse fato. No Paraguai, onde 17 jornalistas e incontáveis cidadãos foram mortos ao longo dos últimos 25 anos, operam os maiores cartéis do Brasil, tais como o Primeiro Comando da Capital [PCC] e o Comando Vermelho [CV]. Temos o caso dramático do México, onde 43 estudantes estão desaparecidos, possivelmente assassinados. A saída, portanto, tem que ser regional. A decisão isolada de um país terá pouca transcendência", afirmou Canese à assessoria de imprensa do Parlamento.

"Não estou assumindo nenhuma posição antes de termos informações. É através da troca de ideias, de opiniões, que vamos poder chegar a um consenso sobre a melhor solução. O importante é o debate e eu entendo que o Parlasul é o foro adequado [para a discussão regional]", concluiu Canese.

Durante a sessão de hoje, os parlamentares vão discutir e votar assuntos como o orçamento de 2015, os convênios entre o Parlasul e a Organização Latino-americana de Energia (Olade) e com a Corte Penal Internacional. Além disso, uma sessão extraordinária vai abordar a situação das Ilhas Malvinas.