DISCURSO “HONROSO”

Da boca de Temer, o veneno machista

por GazetaMT

10 de Março de 2017, 10h40

Da boca de Temer, o veneno machista
Da boca de Temer, o veneno machista

8 de março de 2017. Dia Internacional da Mulher. Por todo o mundo, manifestações e as merecidas homenagens à toda simbologia que envolve a data: a lembrança da luta das mulheres operárias socialistas. Revolucionárias. Promoveram revoluções como a Russa de 1917 -o próprio Trotsky reconhecera. Anos de opressão mas, acima de tudo, conquistas. Historicamente incansáveis nas batalhas... Eis que o presidente da República Michel Temer -PMDB, no exercício do papel, resolveu dar sua contribuição em memória destas e saudação às que hoje carregam a mesma bandeira. Não devia.

"Deu nojo". Este autor encontrou nas palavras de um amigo o sentimento que resume. Temer perdera, bem da verdade, chance de ficar quieto. Envolto -às vezes sobressaltado- todo o conservadorismo e desconhecimento de um exímio exemplar machista de ser humano. Temer até tentou, mas suas alusões às mulheres de luta e seus destaques entoavam em falsidade. Era Temer sendo, mais do que nunca, Temer.

 "E eu digo isso com a maior tranquilidade porque eu tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, o quanto a mulher faz pela casa. O que faz pelo lar, o que faz pelos filhos e, portanto, se a sociedade de alguma maneira vai bem, quando os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada educação e formação em suas casas. E seguramente isto quem faz não é o homem, quem faz é a mulher. A queda da inflação que nós estamos assistindo, a queda dos juros, o superávit recorde da nossa balança comercial, o crescimento do investimento externo, tudo isso significa empregos e significa também que a mulher, além do cuidar dos afazeres domésticos, vai vendo um campo cada vez mais largo para o emprego".

O que dizer da declaração acima, retirada de um trecho do discurso? Ela reproduz, caro leitor, um pensamento vigente. Vai de Temer e de todo seu governo e se espalha pelas ruas. É a reafirmação machista de que o papel da mulher, em primeira instância, é o fazer doméstico. Fazer pelo lar, pelos filhos, pela casa e, quem sabe, disputar mercado. Quem sabe...

Não, tal consideração não é exagero. Admitamos. A exemplo, o presidente da República direcionou palavras à esposa, Marcela Temer. Mas, afinal, que papel ocupa a cônjuge se não o exato retrato de afirmação submissa da mulher ante o poderoso macho?!...

Marcela Temer se deu ao luxo de ser a personificação da mulher 'bonita, recatada e do lar'. Houve quem tentasse emplacar tal infame perfil. Por bem, não deu certo. Tempos depois, a esposa foi silenciada pelo marido 'homem público'. É figura atrás da capa de um vampiro. Nada mais.

Feliz 8 de março...