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Médicos da Santa Casa encerram greve, mas iminência de paralisação continua

Recurso quitou parcela de novembro/2016, mas empenho 'dezembro, janeiro e fevereiro' não contempla março e abril

por Robson Morais

10 de Março de 2017, 09h41

Médicos da Santa Casa encerram greve, mas iminência de paralisação continua
Médicos da Santa Casa encerram greve, mas iminência de paralisação continua

Médicos que compõem o corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis retomaram as atividades e deram fim provisório à segunda greve desencadeada em menos de um ano. Os trabalhos seguem normalizados desde a manhã de hoje, 10, graças a recurso remetido referente aos débitos junto à unidade de Saúde. Uma nova paralisação, porém, não está descartada.

Isso porque o Estado não arcou com o total da dívida com a Santa Casa, quase R$ 4 milhões. Recurso enviado ao hospital quitou o restante do débito referente ao mês de novembro de 2016. Sobre dezembro, janeiro e fevereiro, o que se tem de concreto é apenas um empenho, que não significa dinheiro em caixa. Além disso, no mais recente acordo feito entre as partes já não estão contemplados os meses de março e abril. Ou seja, o repasse, mais uma vez, é incerto.

Ainda sobre esta verba, a Prefeitura de Rondonópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, conseguiu adiantamento e repassou ao hospital. O dinheiro deveria cobrir gastos referentes a janeiro, mas, teve de ser, entretanto, utilizado para quitar os pagamentos mais antigos de plantonistas. De concreto, é só o que atualmente está pago.

O recurso que chega à Santa Casa por meio do Governo do Estado é sempre remetido à Prefeitura, que emite nota de pagamento e possibilita a chegada do dinheiro ao hospital. Na última semana, projeto de Lei aprovado pelo Legislativo Municipal liberou parcela de um total de R$32 milhões. Foi esta a utilizada para saldar mais grave atraso. Em resumo, o município está adiantando o dinheiro, contando com a palavra do Estado.

Sempre em atraso

Historicamente, atrasos nos repasses do Estado à Santa Casa são previstos. Em geral, a regularização dos débitos demora em torno de 60 dias. Desta vez, porém, os quatro meses sem repasse foram o estopim da mais recente paralisação. "Quem perde é a própria Santa Casa, além de todos os pacientes da região Sul. Talvez lá (capital) o impacto não seja sentido, mas aqui para nós com certeza é", avalia o dr. Kemper Carlos Pereira, vice-diretor presidente da Santa Casa. Neste período, o hospital se manteve com recurso próprio. Kemper Carlos Pereira, médico vice-diretor presidente da Santa Casa. Foto:Luan Dourado/GazetaMT

Como fizera quando do anúncio da nova greve, o porta-voz conduziu a reunião que comunicou o retorno provisório. "Fizemos uma reunião junto ao corpo clínico e decidimos retomar os trabalhos. Ficar parados só faz aumentar nosso próprio prejuízo e, desde que haja, responsabilidade do Estado em cumprir com o que fora prometido, não temos porque manter os serviços interrompidos", explica, referindo aos procedimentos de cirurgias eletivas, procedimento de média e alta complexidade.

"Caducou"

Fora estes R$ 4 milhões da mais recente dívida, outros R$32 milhões referentes ao período de março/outubro de 2016 nunca foram pagos à Santa Casa, motivo da primeira paralisação, semanas após a inauguração das Unidades de Terapia Intensiva Adulto e Infantil (pediátrica e neonatal) do hospital. Sobre este valor, o médico admite que o débito pode "caducar".

Os repasses são referentes aos reajustes acordados junto aos governos Federal de Estadual para a realização dos procedimentos de média e alta complexidade, o MAC. "Todo recurso que entra é especifico, se entrar pro MAC é para o MAC. Não podemos mudar as caixinhas", explica o médico.

Do MAC de março a outubro de 2016, mensais R$3,5 milhões não pagos. Uma reunião agendada para abril deverá discutir o assunto. "No anopassado, houve esta tratativa, mas ficamos num acordo verbal, pois aguardávamos dados mais concretos por parte dos órgãos responsáveis. Tal acordo nunca saiu e, atualmente, cabe o Estado achar justo ou não pagar. Não se pode acreditar com certeza nessa possibilidade", diz Kemper.

Nova greve

Neste momento, a expectativa dos médicos que compõem o Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis é a de que o Governo do Estado mantenha os repasses rumo à regularização. Cifras de fevereiro, março e abril seguem em empenho. Não estão atrasadas, por enquanto. "Se o Estado não pagar, paralisaremos com um pouco mais de veemência", finaliza Kemper.