Equilíbrio

Senadores de MT querem mudanças no cálculo do FPE

Jaime Campos, Blairo Maggi e Pedro Taques querem compensação para Estados com áreas que não geram renda tributável.

por GazetaMT

10 de Abril de 2013, 10h14

Senadores de MT querem mudanças no cálculo do FPE
Senadores de MT querem mudanças no cálculo do FPE

Senadores definiram atuação conjunta para modificar forma de cálculoOs senadores Jayme Campos, Blairo Maggi e Pedro Taques, apresentaram ontem (09) emenda substitutiva ao PLS Complementar nº 192/2011, que estabelece normas sobre cálculo, entrega e controle do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal, para evitar maiores perdas para o Mato Grosso.

Segundo o democrata Jayme Campos, a emenda apresentada pelos mato-grossenses tem duplo objetivo. "Primeiramente, buscamos estabelecer que as regras de rateio agora aprovadas tenham vigência por tempo indeterminado", disse o senador. O outro ponto destacado é que a emenda objetiva também um parâmetro diferenciado para as Unidades Federativas que têm em seu território áreas de preservação e terras indígenas, como no caso de Mato Grosso.

Na justificativa apresentada, os parlamentares lembram que existem terras que não geram renda tributável e que, por contas dessas características, precisariam de compensação na partilha do FPE. "Por mais avanços que vejamos na metodologia de cálculo proposta, falta um critério muito relevante, a compensação aos Estados que têm vastas extensões de terras para cuidar, sem poder utilizá-las economicamente".

Para os senadores mato-grossenses, a solução apresentada no Senado Federal para o rateio do FPE contempla os elementos essenciais para solucionar o problema dos critérios de repartição. "De resto está tudo certo, opta pela manutenção do conteúdo econômico das receitas segundo a distribuição histórica. Com relação aos novos recursos produzidos pelo aumento real da arrecadação, o novo modelo estabelece fórmulas muito simples e diretas: a população e o inverso da renda domiciliar per capita", afirmou Jayme Campos.

Votação
Desde o início do ano passado, o senador Pedro Taques vem cobrando em Plenário a votação dos novos critérios de divisão do FPE, que devem valer até 2017. Em 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais os coeficientes fixos de divisão do fundo contidos na Lei Complementar 62/1989 e estabeleceu o prazo de 31 de dezembro de 2012 para o Congresso Nacional elaborar uma nova norma legal. O prazo foi novamente prorrogado por mais 150 dias.

A avaliação do Supremo é que a lei deveria ter vigorado somente até 1992. Depois disso, o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deveria, segundo a Corte, reorientar a divisão dos repasses – o que nunca foi feito.

O ministro do STF Gilmar Mendes foi o relator das ADIs na época. Ao defender a revisão do FPE, ele destacou a necessidade de revisões periódicas dos coeficientes utilizados na distribuição dos repasses.

O senador Blairo Maggi, que foi governador de Mato Grosso entre os anos de 2003 a 2010, quando idealizou e propôs a ação interposta no STF, contestando as regras da partilha do FPE. Fundo que foi concebido em 1988 e, por isso, segundo ele, suas regras tornaram-se inócuas com o passar dos anos. Para Blairo, perdeu-se o sentido fomentar o desenvolvimento nas regiões com crescimento precário por falta de infraestrutura.

"A infraestrutura está no Sul e Sudeste e o desenvolvimento e a geração de riqueza está no Centro Oeste, Norte e Nordeste e, mesmo assim, a concentração dos recursos estão na região Sul e Sudeste. Isto é antagônico. Precisa ser mudado e as discussões aqui são no sentido de se manter tudo como está e com o passar dos anos ir alterando, quando na realidade, deveria ser feita uma mudança realista, e não da forma como desejam alguns", criticou Maggi.