Sem impunidade
Ato contra a PEC-37 reúne lideranças em Rondonópolis; promotores sugerem pressão sobre políticos
Evento em Rondonópolis faz parte da mobilização deflagrada pelo Ministério Público contra a aprovação da 'PEC da Impunidade'
10 de Abril de 2013, 22h16
Centenas de pessoas lotaram o auditório do tribunal de juri do Fórum de Rondonópolis na noite desta quarta-feira (10) no ato organizado pelo Ministério Público contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional número 37, que tramita no Congresso Nacional. A PEC-37 define que só as polícias poderão realizar investigações, o que é visto como uma limitação à atuação dos promotores e um estímulo à impunidade.
O ato em Rondonópolis contou com a participação de representantes da Prefeitura, Câmara Municipal, Polícia Militar, OAB, Defensoria Pública e entidades civis. Todos se posicionaram contra a aprovação da emenda.
O evento foi presidido pela promotora e coordenadora da Promotoria de Justiça de Rondonópolis, Ivonete Bernardes Lopes. Segundo ela o ato em Rondonópolis ajudou a elucidar dúvidas da população, que tem um papel fundamental no convencimento dos parlamentares que votarão a proposta em Brasília.
"Estou convicta que, depois das explanações e esclarecimentos prestados aqui, aqueles que achavam que a PEC deveria ser aprovada agora compreendem que ela deve ser rejeitada. Ficou claro que ela só vai favorecer os criminosos e nossa sociedade está cansada de ver tantos criminosos impunes", afirmou.
O presidente da União da Associações de Moradores da Região Salmen (Unisal), Luiz Carlos da Costa, foi um dos que mudaram de opinião após ouvir os argumentos dos promotores e outras autoridades. Para ele, a aprovação da PEC-37 representará um risco para a sociedade.
“Eu tinha uma ideia totalmente diferente, mas agora percebo que se essa proposta for aprovada a população não contará mais com o combate à corrupção e aos crimes que hoje são investigados pelos promotores”, avaliou.
Pressão popular
Dos onze parlamentares que integram a bancada federal de Mato Grosso, apenas o senador Pedro Taques (PDT) e os deputados federais Valtenir Pereira (PSB) e Nilson Leitão (PSDB) se manifestaram contrários a aprovação da PEC 37. Os demais são favoráveis ou alegam ainda estar em dúvida. Mas, na opinião da promotora Ivonete Bernardes, esse placar pode mudar se houver pressão popular.
"Se a sociedade se mobilizar, os parlamentares pensarão duas vezes. Sabendo depois quem foi que votou a favor da PEC, os eleitores vão saber quais são os políticos favoráveis à impunidade", alerta.
O promotor Ari Madeira também defende o envolvimento maciço da sociedade para barrar a PEC-37. Ele revelou que chegou a ligar para o deputado Wellington Fagundes e para o senador Blairo Maggi, ambos do PR, e sugeriu que as lideranças do município com acesso aos parlamentares façam o mesmo.
"É importante que as pessoas se manifestem, demonstrando a contrariedade com a PEC-37. Não podemos deixar que o Ministério Público fique engessado. A opinião pública tem um papel muito importante e pode fazer a diferença", avalia.
As pessoas interessadas em obter mais informações sobre a PEC-37 podem acessar o site do Ministério Público Estadual.