CLIMA DE DESPEDIDA

Dilma anunciar Universidades às vésperas do provável afastamento soa como “grand finale”

por GazetaMT

10 de Maio de 2016, 10h46

Dilma anunciar Universidades às vésperas do provável afastamento soa como “grand finale”
Dilma anunciar Universidades às vésperas do provável afastamento soa como “grand finale”

A presidente da República Dilma Rousseff (PT) anunciou logo pela manhã de hoje (10) a criação de cinco novas Universidades Federais em todo o Brasil. Com o título 'Pátria Educadora', forte ferramenta de marketing em seu segundo mandato, suas páginas oficiais na internet ficaram lotadas pelos comunicados. Às vésperas da votação no plenário do Senado que pede seu afastamento por até 180 dias do cargo, a notícia, apesar de boa, não perde seu trágico tom de "grand finale" da presidência, num clima de despedida sentido pela chefe da República.  

Entre as novas instituições está a Universidade Federal do Cerrado (Ufcer) em Rondonópolis, atual campus local da Universidade Federal De Mato Grosso (UFMT). Em uma das notas postadas na rede, a chefe da República destaca que cada nova unidade vem para complementar as "63 existentes, sendo 18 criadas no governo Lula". Em outra, preenchida por cores quentes e, claro, o habitual vermelho, a presidente aparece assinando os Projetos de Lei a serem encaminhados ao Congresso. Nas entrelinhas as correlações discurso/imagem vem para mostrar um projeto de governo sólido, acima da crise. Oposto ao real vivido nos dias de hoje em Brasília.

O presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), voltou atrás no pedido de anulação da sessão que possibilitou a abertura do processo de impeachment contra a presidente e a votação no Senado, como o previsto, ocorrerá amanhã (11). Na comissão especial da Casa antes desta etapa, o resultado em desfavor do governo fora de 15 a 5, sendo uma abstenção. A presidente tem de aceitar, em mais esta fase, a impossibilidade de uma reviravolta.

Sendo assim, Dilma se afasta da presidência pelos próximos 180 dias, tempo em que trabalhará em sua defesa no processo. Em paralelo, a presidente tem buscado acelerar projetos que possam lhe trazer certo prestígio ou ao menos encerrar de forma merecedora de destaque seu governo. Desde abril, Dilma assinou e anunciou ajuste no programa Mais Médicos, aceleração e entrega de obras do Minha Casa Minha Vida e investimentos via plano Safra nos programas de agricultura familiar. Do ponto de vista financeiro, chegaram a ser consideradas loucas tais e tantas medidas. Mas isso, como já adiantado por esta coluna, que fique a cargo de quem assumir.

Para completar o bolo estão aí as novas universidades. À Educação, claro, um sinal de conquista, ainda dignas de pena as Universidades em todo o Brasil nos quesitos manutenção e investimentos do Governo Federal, que nos últimos dois anos cortou recursos e enxugou bolsas concedidas a graduandos e ingressantes em projetos de pós graduação e extensão. Tais fatos, aliás, são parte dos não destacados no programa de Dilma, com fortes possibilidades de não serem jamais em nenhum outro governo.

Seja como for, o que se tem é uma presidente que acelera o que pode, sentindo-se já a caminho de casa. Dilma garantiu que não renunciará, irá até o fim nesta briga. O discurso, porém, já fora mais forte.