NO SILÊNCIO DO SENADOR
Cheio de discurso, Wellington Fagundes merece destaque pelo que não fala
10 de Maio de 2016, 09h42

Por pouco esta coluna não apontou, na última semana, que o senador Wellington Fagundes (PR) havia chutado, em verso e prosa, o pau da barraca na base aliada e virado a casaca ao melhor estilo Judas Iscariotes, votando em favor do impeachment e entregando sua aliada presidente Dilma Rousseff (PT) aos leões de Brasília. Ainda bem que não o fizemos, porque o senador é do tipo que merece mais destaque é pelo que não fala.
O silêncio de Fagundes sobre a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), que barrou o andamento do processo de impeachment prestes a ser votado no plenário do Senado Federal, possui um forte significado. Não abrindo a boca e mudando o foco para sua reunião com a própria presidente o senador respondeu aos questionamentos quanto a que lado está atualmente na moeda política. Está do lado de Dilma, ainda que discreto.
Sua mudança de posicionamento ao longo das etapas e votações relacionadas ao processo de impeachment foi acompanhada com surpresa por muitos, mas revelou-se seguir um cronograma estratégico. Com base nos resultados obtidos até o momento, é possível traçar a linha para compreender seu plano.
O senador se manteve o quanto pôde em defesa pública do governo, mas mudou quando se viu o alvo das principais pedradas lançadas pela rejeição política e popular. Migrou, então, para o discurso "meio termo" e, por fim, se disse tão favorável à admissibilidade quanto o demais colegas da bancada de Mato Grosso no Senado Federal. Bem da verdade, jamais o fora.
Quando proferiu o voto contra a presidente da República na Comissão Especial do Senado o senador defendeu que o afastamento da presidência era para o bem da própria Dilma, pois lhe daria tempo para elaborar sua defesa. Ao mesmo tempo ficara, assim, em bons lençóis com a oposição para poder surfar na onda da "vontade do povo".
Após a votação na Comissão, Wellington Fagundes seguiu sua agenda "pró governo". Anunciou, no mesmo dia em que os demais senadores de Mato Grosso atacaram a decisão que barrou o impeachment, a assinatura que viabiliza a Universidade Federal do Cerrado (Ufcer).
Em sua página oficial, Fagundes postou a foto que ilustra o referido momento e abre esta edição de Buxixo, com direito a Dilma em segundo plano. Também simbólico o registro: Dilma em segundo plano...
Dizem os entendidos que desde que Fagundes adotou a modalidade "morde e assopra", conseguiu, ao contrário do que esperava, criar um mal estar ante a presidente. Agiu como um estagiário recém contratado querendo mostrar serviço para o governo, mas dando bola nas costas. Pegou mal, dizem, ainda mais para uma Dilma com o pavio mais curto que o nada cumprido de costume. Estaria aí o motivo para a ausência dos rostos colados na fotografia postada pelo senador.
É como dizem, jogar lá e cá não dá...