Aumento linear de 19% pode inviabilizar serviço público em Rondonópolis
10 de Junho de 2013, 04h30
Os servidores da Prefeitura ameaçam fazer greve se não tiverem a garantia de um aumento linear de 19%. Pressionados, os vereadores da Câmara Municipal apoiam a reivindicação e, ao que parece, o prefeito também. Se tudo correr como imaginam os interessados, o acordo pode ser firmado ainda neste ano e o aumento será dividido em parcelas..
Tudo parece seguir no melhor dos mundos, mas basta começar a fazer os cálculos e veremos que estão esquecendo de incluir nestes planos os interesses de quem não tem cargos na Prefeitura, na Câmara ou nas autarquias municipais - o que envolve cerca de 98% dos mais de 200 mil rondonopolitanos.
É que, conforme o próprio Sindicato dos Servidores, o aumento pretendido exigirá cerca de 10% da receita total do município. O problema é que do total arrecadado atualmente, sobra apenas cinco por cento para fazer investimentos. O restante é usado para pagar financiamentos, dívidas previdenciárias, contrapartidas de convênio e, claro, o custeio da própria máquina - folha de pagamentos inclusa.
Ou seja, a não ser que a arrecadação aumente consideravelmente ou alguém descubra como multiplicar dinheiro, o município enfrentará um déficit orçamentário assim que atender os servidores. Pode faltar recursos, por exemplo, para fazer obras, reformar escolas, comprar remédios e materiais de uso essencial. Aliás, faltará dinheiro até para pagar os próprios servidores.
Como parece faltar também bom senso aos que defendem a proposta, talvez seja o caso das lideranças comunitárias (Uramb e Unisal à frente) , empresariais (CDL, Acir etc.) e os sindicatos das outras categorias começarem a agir.
O Buxixo pode estar enganado, mas, se não houver uma 'contrapressão', em breve poderemos nos ver no pior dos mundos.