EDUCAÇÃO

Em meio a crise no Estado e corte no MEC, AL faz audiência para debater Unemat

Constituição estadual prevê que 2,5% da receita de Mato Grosso sejam destinados à instituição

por GazetaMT

10 de Junho de 2019, 08h35

Em meio a crise no Estado e corte no MEC, AL faz audiência para debater Unemat
Em meio a crise no Estado e corte no MEC, AL faz audiência para debater Unemat

Em meio crise financeira no Estado e confirmados cortes das universidades federais, a Assembleia Legislativa discute em audiência a destinação de 2,5% da receita líquida de Mato Grosso para a manutenção e ampliação dos campus da Universidade Estadual, Unemat. O repasse está previsto, segundo consta, na Constituição estadual.

A audiência ocorre na próxima quarta-feira (12), e atende requerimento da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto que tem como presidente o deputado Thiago Silva (MDB). A expectativa, segundo ele, é de continuidade no projeto de expansão da Unemat em Rondonópolis, atualmente instalada como núcleo do campus de Alto Araguaia.

Foto: Daffiny Delgado / GazetaMTCortes federais

Nas universidades federais UFMT  e UFR, a preocupação é com a manutenção das instituições em meio ao corte nacional de 30% confirmado pelo atual ministro da Educação, Abraham Weintraub. Ao todo, o Ministério da Educação promoveu cortes que somam R$ 5,83 bilhões de reais na Pasta.

Em maio, o Diretório Central dos Estudantes -DCE da UFR publicou um manifesto contrário á medida. "Tal corte afeta, inclusive, o custeio de água, luz, serviços de limpeza e segurança. São serviços essenciais para que a Universidade não feche suas portas - e ficam ameaçados". A unidade recém emancipada da Universidade Federal de Mato Grosso -UFMT já sofria com atrasos nos repasses de bolsas e demais auxílios aos estudantes federais. Agora, o novo corte inclui por igual as duas instituições de ensino públicas do Estado.

Greve geral

No próximo dia 14, uma nova greve nacional pela Educação, o segundo grande ato de protesto movimento segue com pauta contrária ao corte no MEC. O movimento segue conquistando adesão popular e apoio de setores estratégicos, como o dos caminhoneiros. Em 2018, esta categoria paralisou por onze dias as rodovias federais brasileiras.

No dia 15 de maio, estudantes das instituições públicas de Ensino, Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), lideranças sindicais, profissionais da Educação e representantes de movimentos sociais aderiram ao maior ato nacional em defesa da Educação. A mobilização reuniu cerca de 1,1, mil pessoal em Rondonópolis e 10 mil em Cuiabá.

Foto: Daffiny Delgado / GazetaMTOs discursos ao microfone se alternaram entre lideranças sindicais, professores e estudantes. À reportagem, Patrícia Alves dos Santos Oliveira contou sua história: "Sou de Guiratinga, de família pobre, cheguei aqui em Rondonópolis aos 15 anos. Na minha época, não havia políticas de ingresso e permanência nas universidades e por isso demorei três anos para conseguir entrar em uma. Mas eu consegui", conta a professorada rede estadual de Ensino formada e mestranda no campus local da UFMT. "Para mim, importante lembrar, era universidade pública ou nada. Dinheiro para faculdade particular eu não tinha", reforça.

"Consegui entrar na universidade, me formar e conquistar meu lugar no mercado de trabalho. Hoje sou professora efetivada. Não só pelo meu exemplo, sei o quanto a universidade vem transformando a vida de muita gente. É uma mudança real na vida da classe trabalhadora. Graças ao acesso à universidade, pessoas como eu tomaram conhecimento do seu lugar no mundo", diz a professora.

Patrícia está na reta final do mestrado, mantido com auxílio de bolsa, sem a qual "eu não conseguiria jamais me manter", conta. A professora de língua inglesa se especializou em educação de jovens e adultos, outra modalidade "fortemente atacada pelos Governos Federal e Estadual".