leilão
Justiça manda leiloar 714 cabeças de gado de ex-secretário preso
Pedro Nadaf teria adquirido o gado com valores supostamente recebidos a título de propina
10 de Julho de 2016, 13h00
A juíza Edleuza Zorgetti Monteiro, diretora do Fórum de Cuiabá, marcou para o dia 28 de julho, às 14h, o leilão das 714 cabeças de gado pertencentes ao ex-secretário de Estado Pedro Nadaf, preso desde setembro do ano passado no Centro de Custódia da Capital, por conta da Operação Sodoma.
A decisão é da última quinta-feira (07). O rebanho, avaliado em R$ 850 mil, havia sido sequestrado por determinação da juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.
O leilão ocorrerá na Central de Apreensões do Fórum de Cuiabá. Caso não seja arrematado no dia 28, os bovinos serão leiloados no dia 11 de agosto, no mesmo horário.
O dinheiro arrecadado deverá ser usado como garantia de possível ressarcimento aos cofres públicos, caso Nadaf seja condenado na ação penal.
O rebanho de Nadaf foi descoberto coma delação do ex-secretário de Estado de Administração, César Zílio, na 2ª fase da Sodoma.
Zílio relatou que Nadaf adquiriu dele e de seu pai, Antelmo Zílio, um total de 1.200 cabeças de gado, entre 2012 e 2014, de forma clandestina, "buscando ocultar a origem e localização de bens".
Deste total, 486 cabeças já teriam sido vendidas e as outras 714 cabeças estariam nas Fazendas Campo Alto e Santa Bárbara, que são administradas por Cézar Zílio.
Em sua delação, Cézar Zílio disse que o rebanho - formado por animais de idades diversas - foi adquirido por Nadaf por sua intermediação, uma vez que também atuava como pecuarista na época.
Zílio ainda contou que, nos dias em que ficou detido no Centro de Custódia da Capital, Nadaf o orientou a mentir à Polícia sobre o gado e dizer que todo o rebanho já havia sido vendido.
Nadaf confessa compra
Nadaf chegou a admitir, em depoimento prestado na 3ª fase da Sodoma, que havia pagado o gado com cheques emitidos pelo empresário João Batista Rosa, cujo depoimento originou as investigações.
No entanto, ele negou que os cheques foram recebidos a título de propina e justificou que recebeu tais valores de João Batista pela prestação de assessoria empresarial, por meio de sua empresa, a NBC Consultoria.
O ex-secretário ainda afirmou que havia adquirido apenas 400 cabeças de gado, e não 1,2 mil.