O TEMER DE TEMER
Medeiros fala em prol do presidente torce por coração “sem cobiça” de Rodrigo Maia
10 de Julho de 2017, 08h09
Vice-líder do governo Temer no Senado, o mato-grossense José Medeiros -PSD/MT falou em prol do Presidente da República, alvo da denúncia de corrupção passiva entregue pelo Procurador Geral da República Rodrigo Janot. O parecer contra o peemedebista será lido hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Medeiros defende a permanência de Temer e avalia que o afastamento é sinônimo de mais instabilidade de desconfiança para o Brasil. Diz torcer, ainda, para que o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sucessor natural caso seja confirmado o afastamento do presidente, não se deixe levar pela cobiça. Maia já vem sendo chamado de "o Temer de Temer", em alusão à articulação política pró impeachment da petista Dilma Rousseff.
"Torço muito para o bem do Brasil. Não é nem pelo Temer. Na situação que nós estamos, que a cobiça não tome conta do coração do Rodrigo Maia. Se o presidente sair agora é mais troca de ministros, é mais instabilidade, é mais desconfiança no Brasil", disse.
Medeiros esteve em Primavera do Leste, em evento voltado ao agronegócio. "Os agentes políticos tinham que ter, no mínimo, muito cuidado para não abalar esse cenário que está aí. Nós temos nos recuperado, podemos ter deflação no próximo mês, mas as coisas precisam ter o mínimo de estabilidade. Não pode trocar presidente a cada 10 minutos", completou.
Parecer
Para ser votada em plenário, a admissibilidade da denúncia da PRG contra Temer precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se aprovada, afasta Temer da presidência da República por 180 dias e autoriza o Supremo Tribunal Federal (STF) a processá-lo.
Diante da situação, Medeiros cobrou responsabilidade da classe política. Em sua opinião, a saída de Temer abala o cenário de recuperação do país.
A postura de Medeiros perante Temer apesar da denúncia por corrupção passiva é diferente da adotada em relação à ex-presidente da República Dilmar Rousseff (PT) que foi acusada de praticar pedaladas fiscais. Em 2016, defendeu o impeachment da petista e criticou o chamado fatiamento do processo que manteve seus direitos políticos.