DESESTRUTURAÇÃO DO SISTEMA
Prefeito culpa municípios do interior por sobrecarga na Capital e fala de visões diferentes entre ele e governador
Prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), explicou que no interior a velocidade da doença é severamente pior e que a desestruturação e a falta de planejamento, sobrecarregou o sistema público da Capital
10 de Julho de 2020, 08h04
O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que concedeu entrevista na manhã desta sexta-feira (10), ao canal internacional de televisão, CNN Brasil, atribuiu a mortandade de 420 pessoas somente na Capital – que somadas aos números oficiais da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), alcança a marca de quase 1 mil óbitos pela Covid-19 em todo território estadual –, a sobrecarga vinda do interior de Mato Grosso.
Conforme o gestor, os números do Ministério da Saúde (MS) mostram a desestruturação e a falta de apoio aos municípios pelo Poder Executivo.
Em síntese, Pinheiro explicou que a Capital, que a princípio era o epicentro, agora concentra uma proporção menor da doença em porcentagem, se comparado aos pacientes dos demais municípios que estão sendo atendidos pelos hospitais da Capital. A ocupação de vagas dos leitos em sua maioria, segundo ele, não é 'hoje' de habitantes de Cuiabá.
“Semana que vem vamos entregar pelo menos mais 20 até quarta-feira [15]. São leitos de UTIs [Unidades de Terapia Intensiva] exclusivos da Prefeitura Municipal, atendendo cuiabanos e demais mato-grossenses, sendo que 60% ontem [09] fechou de pacientes do interior do Estado e 40% de Cuiabá, e tenho certeza que não é muito diferente da rede privada”, disse o prefeito.
Questionado pelo apresentador sobre “a compreensão” da calamidade da doença que “não se encontra no mesmo compasso” entre ele e o governador Mauro Mendes (DEM), o prefeito pontuou como “visões diferentes”.
“São visões diferentes, mas eu mostro com a realidade dos números, com dados oficias do Ministério da Saúde, que mostra uma interiorização absurda rápida e violenta do vírus, que está afetando o Estado inteiro e agora está afetando a Capital”, argumentou.
Para Pinheiro, não basta serem tomadas medidas judiciais como a prorrogação da quarentena obrigatória apenas em Cuiabá e Várzea Grande, prevendo o fechamento das cidades como medidas de controle do avanço, mas sim a conscientizar os prefeitos, a providencias mecanismos de defesa no enfrentamento do vírus.
“Nós trabalhamos com dados técnicos científicos e algumas medidas tem que ser tomadas. Do ponto de vista político é a conscientização de que precisamos não sobrecarregar e não demonizar Cuiabá. A partir do momento que tem decisões judiciais sem nenhum respaldo técnico, quer determinar medidas e deixa aberto o interior, mais de 30 municípios em situação de risco muito alto, é injusto você querer trancar a população em casa e abrir o Estado inteiro”, explicou indignado.
Na noite desta quinta-feira (09), o juiz da Vara Pública de Várzea Grande, José Lindote, determinou judicialmente a prorrogação da quarentena obrigatória na Capital e região metropolitana, por mais 7 dias, a partir desta sexta-feira (10).