Campanha mais barata
Sem financiamento empresarial e mais curta, campanhas eleitorais devem ser mais baratas este ano
11 de Janeiro de 2016, 09h48
Mais curtas e mais baratas. Assim devem ser as campanhas eleitorais deste ano, que não contarão com dinheiro das empresas, já que agora é proibido a entrada de dinheiro de pessoas jurídicas no pleito, que ficarão restritos à doações de pessoas físicas e ao dinheiro do Fundo Partidário a que todos os partidos com representantes no Congresso Nacional têm direito.
Essas são apenas algumas das mudanças que passarão a vigorar a partir de agora, que visam diminuir a influência do capital no resultado das eleições, permitindo que os menos endinheirados tenham a chance de se eleger, o que deve fortalecer a democracia e a participação popular, como deveria ocorrer sempre na República, sistema que se baseia no voto popular, mas que fica distorcido devido à ingerência do capital, que coloca os interesses dos capitalistas acima do interesse do povo, gerando assim uma distorção, já que os interesses dos empresários e da maioria das pessoas muitas vezes é conflitante.
É por conta dessa situação que, mesmo sendo cerca de 52% do eleitorado, não tenhamos nenhuma mulher na nossa Câmara Municipal, assim como apesar da imensa maioria dos eleitores serem trabalhadores, nossos parlamentares são formados principalmente por empresários e pessoas mais abastadas, numa clara demonstração de que a vontade popular não era respeitado pelo sistema que permitia a entrada de dinheiro das empresas nas campanhas eleitorais, que se tornaram muito caras e inviáveis para os que não são representantes do capital.
Além do fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais, o prazo para a filiação de pessoas interessadas em disputar a eleição diminuiu de um ano para seis meses, o que por consequência provoca uma diminuição no tempo das campanhas eleitorais, que agora serão de apenas 45 dias, ao invés de 90, como era anteriormente.
Somados, esses dois fatores devem provocar um barateamento considerável nos custos das milionárias campanhas eleitorais, o que pode ser muito bom para os menos endinheirados, que poderão contar com condições menos desiguais de disputar com os mais abastados, permitindo uma relativa renovação entre nossos representantes políticos.
O Buxixo vê com bons olhos as mudanças e espera que os órgãos fiscalizadores, como a própria Justiça Eleitoral e o Ministério Público, se empenhem em coibir a entrada de dinheiro indevido nas campanhas e o excesso de gastos como a contratação de milhares de cabos eleitorais, como fazem alguns de nossos representantes e que é uma forma velada de compra de votos, punindo com rigor os infratores, retirando-os do processo e não permitindo a posse dos que se elegerem.
Vamos acompanhar...