polêmica
Conselho de Cultura questiona reforma de coreto da Praça dos Carreiros e obra é paralisada
A obra foi paralisada e só deve ser retomada após uma reunião entre representantes da Coder, do Conselho e vereadores
11 de Março de 2014, 10h43

A reforma iniciada pela Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder) na Praça Brasil na última sexta-feira, 7, gerou uma certa polêmica e foi contestada pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC), que cobra um plano de manejo para as obras e afirma que o coreto da praça trata-se de um patrimônio histórico da cidade e que não pode ser removido. Por conta do questionamento do CMPC, a obra foi paralisada e só deve ser retomada após uma reunião entre representantes da Coder, do Conselho e vereadores.
"Nós fomos informados da situação ontem e fomos até o local verificar o que estava acontecendo. Nós ficamos estarrecidos com o que vimos: a Coder enfiou máquinas e caminhões dentro da praça sem nenhuma comunicação prévia aos órgãos competentes, que cuidam do patrimônio histórico da cidade. Nós queremos que nos seja apresentado um plano de manejo da obra, definindo ponto a ponto o que vai ser reformado na praça, pois o Conselho tem a obrigação de lutar pela preservação do nosso patrimônio histórico e nós estamos alertas com essa situação", pontuou Max Ferraz, presidente do CMPC.
O questionamento do representante dos artistas diz respeito à possibilidade de eliminação do coreto da praça, o que é negado pelo presidente da Coder, Eduardo Duarte. "Na verdade, o que queremos é apenas reformar a praça, podar as árvores e melhorar a iluminação, para dar um aspecto melhor ao local e devolver o espaço para os cidadãos, que hoje desviam da praça, devido ao grande número de desocupados e andarilhos, que ficam ali parados e cometendo pequenos delitos e crimes diariamente. A nossa intenção é dar uma solução, ainda que paliativa, para essa situação", afirmou.
Ainda segundo ele, a reforma deve ser retomada nessa quinta-feira, 13, após a reunião com os artistas e vereadores.
Opinião do povo
Diante da polêmica instaurada, o site GazetaMT foi às ruas ouvir a opinião das pessoas sobre o caso.
Para o vigilante Edcarlos da Silva Almeida, de 43 anos, sendo 31 deles morando em Rondonópolis, a iniciativa da reforma é elogiável, mas ele defende a manutenção do coreto da praça. "Já faz muito tempo que temos esse coreto, que já foi usado antigamente como palco de diversos shows artísticos. Há muitos anos que ele não é usado, mas eu acho que tem que conservar ele e tirar essas pessoas desocupadas que ficam aí, causando insegurança nas pessoas", opinou.
A estudante Amanda Ellen, de 15 anos, nascida na cidade, tem uma opinião semelhante, mas ela defende uma reforma ampla no espaço público. "Eu concordo que o coreto é um patrimônio histórico da cidade e acho que tem que ter uma saída alternativa que preserve ele. E acho também que essas pessoas que moram aí tem que ser retiradas, mas não pode ser de qualquer jeito, pois essas pessoas têm que ter onde morar. Mas se for para fazer uma reforma maior, que melhore toda a praça e torne ela mais bonita, eu sou a favor de retirar o coreto sim", afirmou.
Já o aposentado Sandoval José de Almeida, de 96 anos, morador do bairro Parque das Nações, defende a manutenção do coreto a todo custo, mas defendeu a retirada dos desocupados da praça. "Nós não podemos deixar tirar isso aí (coreto) não, por que ele deixa a praça mais bonita. Todas as cidades grandes tem praças desse jeito. Mas eu acho que tem que achar um jeito de retirar os mendigos daqui, pois eles fazem muita bagunça", opinou.
A situação deve ser discutida em uma reunião convocada para as 15 horas dessa terça-feira, durante a realização da reunião dos vereadores para apreciarem a Ordem do Dia, quando os vereadores debatem sobre os projetos que irão para a votação na Sessões Ordinárias das quartas-feiras.