Cigarrinha

Professor de Agronomia aconselha os agricultores como devem evitar as cigarrinhas das lavouras

Elas abrangem diversas espécies e representam um dos principais problemas para a agricultura e pecuária nacional

por GazetaMT

11 de Março de 2015, 13h35

Professor de Agronomia aconselha os agricultores como devem evitar as cigarrinhas das lavouras
Professor de Agronomia aconselha os agricultores como devem evitar as cigarrinhas das lavouras

As cigarrinhas-das-pastagens abrangem diversas espécies e representam um dos principais problemas para a agricultura e pecuária nacional. No Brasil, se avalia, atualmente, que as cigarrinhas ocorrem em cerca de 10 milhões de hectares, provocando prejuízos variáveis entre 10 e 100%, dependendo das espécies, do tipo de gramíneas, das condições de tempo e do manejo das pastagens. 

Para o professor Randal Lopes, do curso de Agronomia da UNIC Beira Rio, as cigarrinhas-das-pastagens são a principal praga das pastagens no Brasil e em Mato Grosso. "São insetos sugadores, essencialmente graminícolas. Na fase adulta, os insetos sugam a seiva das folhas e inoculam toxinas, causando intoxicação sistêmica nas plantas (fitotoxemia), que interrompe o fluxo da seiva e, consequentemente, o processo vegetativo da planta. Como sintomas iniciais surgem pequenas estrias longitudinais amareladas, as quais se desenvolvem no sentido do ápice da folha. Em caso de ataque intenso, ocorre o secamento total da pastagem", afirma.

Lopes ressalta que o período de infestação destes insetos começa a partir de outubro/dezembro período que coincide com o início das chuvas e aumento da temperatura e vai até o mês de março/abril fim do período chuvoso. Neste caso, o rebanho fica sem alimento em pleno período das chuvas, podendo estender essa situação durante a estação da seca, período crítico, quando é mais necessário o uso das pastagens. Nesta ocasião, os insetos podem ser observados no campo, tanto na forma de ninfas como adultos, sugando a seiva das plantas. As ninfas ficam protegidas por uma espuma branca típica, semelhante à saliva, a qual serve como proteção para os raios solares e acertos predadores. Nesta fase, ocorre um desequilíbrio hídrico e o esgotamento dos carboidratos de reserva utilizados no processo de crescimento das plantas.

Randal informa que a ocorrência das cigarrinhas-das-pastagens e seu comportamento estão diretamente relacionados a fatores climáticos, tais como: elevada precipitação, umidade relativa do ar e temperatura. Quando estas pragas encontram o clima favorável, elas botam os ovos e esperam que eles estourem cerca de 22 dias após a postura. Com isso, espera passar pelos diferentes estágios ninfais, até atingirem o estágio adulto, completando o ciclo biológico entre 67 e 69 dias, conforme a espécie. Caso contrário, os ovos entram em aquiescência, se mantendo viáveis durante vários dias no solo, a espera de condições climáticas favoráveis.

"A população de cigarrinhas-das-pastagens durante a estação chuvosa alcança níveis muito altos, podendo-se encontrar até 100 ninfas/m2, causando um grande estrago na lavoura. A solução para este problema é manter no mínimo, cerca de 30% das pastagens formadas com espécies resistentes à praga, evitando a utilização de super pastejo, obedecendo à altura de pastejo recomendada para cada espécie. Outra solução é reduzir a carga animal nas pastagens de gramíneas susceptíveis, durante o pico populacional das cigarrinhas, deslocando a maior parte do rebanho para as pastagens com gramíneas resistentes. Pastagens diversificadas e bem manejadas reduzem acentuadamente o risco representado pelas cigarrinhas-das-pastagens, bem como pelos demais insetos-praga, assegurando níveis adequados de produtividade, sem a necessidade de uso do fogo contra essas pragas", destacou Lopes.

 

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