REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Discussão entra em pauta em audiência especial da AL
Pontos polêmicos sobre idade mínima e desvinculação do salário preocupam parlamentar
11 de Março de 2017, 07h00
A Reforma da Previdência, que tramita no Congresso Nacional, foi tema de uma audiência pública nesta sexta-feira, 10, no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016 traz alguns pontos considerados polêmicos, como a idade mínima de 65 anos para se aposentar e a ampliação de 15 para 25 anos no tempo de contribuição.
Além disso, mesmo cumprindo os prazos mínimos (65 anos de idade e 25 anos de contribuição), o contribuinte não receberá aposentadoria sobre a integralidade do salário que ganhava, mas 76% do valor-base inicial do cálculo. Para chegar aos 100%, é preciso trabalhar mais: será acrescido um ponto percentual por ano de trabalho adicional.
O presidente Michel Temer (PMDB) já iniciou uma forte articulação política junto aos parlamentares federais para garantir a aprovação com o mínimo de alteração no texto original, enviado pelo governo federal.
Outro ponto importante trata da desvinculação do salário mínimo, de maneira que o benefício garantido pelo INSS não observará o reajuste de valorização do salário. A PEC 287/2016 ainda prevê o fim gradativo das aposentadorias especiais, a proibição da acumulação de pensão por morte e aposentadoria, o aumento da alíquota de contribuição previdenciária dos servidores estaduais para 14%, bem como a contribuição previdenciária a ser paga pelos agricultores.
A pensão por morte, por sua vez, também traz novidades na forma de cálculo: o valor da pensão passa a ser de 50% do que o segurado recebia aposentado, ou tinha direito a receber se aposentado por invalidez, acrescido de 10% por dependente.
"Entendemos que o problema não é a Reforma da Previdência Social em si, pois é sabido, por exemplo, que é real o aumento da expectativa de vida da população brasileira e mundial, e que os brasileiros se aposentam cedo em comparação a povos de outros países. O problema maior é a restrição a direitos sociais em um país com tantas diferenças, o que certamente prejudicará a camada mais pobre da população, que começa a trabalhar mais cedo e em piores condições", argumenta o deputado Valdir Barranco, do PT.