Apuração de regalias aos presos da Mata Grande pode esbarrar em interesses políticos
11 de Junho de 2012, 09h26
O secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Paulo Lessa, agiu com cautela ao se referir ao ex-diretor da penitenciária da Mata Grande, Raymundo Vasconcelos. Ao contrário do novo diretor da penitenciária, Agno Sérgio Silva Ramos, que desancou o trabalho do antecessor, Lessa negou que a substituição tenha sido causada por irregularidades na gestão da penitenciária.
Em release distribuído pela Secretaria Estadual de Comunicação, Paulo Lessa afirmou que os problemas de saúde do ex-diretor foram a causa da mudança e, após elogiar atuação de Raymundo, antecipou que pretende usar a 'experiência' do ex-diretor em áreas administrativas da Sejudh.
Paulo Lessa já foi desembargador e é um profundo conhecedor do Direito. Mas, podem anotar, a decisão de 'poupar' Raymundo não foi motivada por medo de eventuais processos, e sim para evitar maiores prejuízos políticos ao Governo e seus apoiadores.
O fato é que não há como negar que o ex-diretor concedeu aos presos regalias impensáveis e,aparentemente, ilegítimas. Mas ele fazia isso há mais de cinco anos e, por isso mesmo, também não há como condená-lo sem condenar também os secretários e governadores a quem Raymundo respondia hierarquicamente. Se ele cair, poderá levar gente importante junto consigo.
Seguindo a mesma lógica, não é difícil prever que são mínimas as possibilidades de uma apuração mais profunda e, eventualmente, a responsabilização daqueles que transformaram a Penitenciária da Mata Grande num 'resort diferenciado'. É aguardar e conferir.