POLÍTICA

Câmara dos Deputados recusa voto facultativo

A proposta foi rejeitada por 311 parlamentares

por THIAGO MATTAR

11 de Junho de 2015, 14h07

Câmara dos Deputados recusa voto facultativo
Câmara dos Deputados recusa voto facultativo

No início da noite de ontem (quarta, 10), a Câmara dos Deputados recusou a proposta do voto facultativo em todo o território nacional. Foram 311 votos contra a proposta, 134 a favor e três abstenções. Duas das três maiores bancadas, PSDB e PT, se posicionaram contra a proposta.

Já o PMDB não orientou seus representantes a votarem contra ou a favor da proposta, mas o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), defendeu o voto facultativo com a justificativa que a medida obrigaria o candidato a se aproximar mais do eleitor, opinião que o deputado já havia expressado em uma longa entrevista de novembro do ano passado, quando afirmou que "a população já transformou o voto em facultativo. No Rio de Janeiro, por exemplo, somando nulos, brancos e abstenções você tem mais de 40% da população que não votou".

Ezequiel Fonseca, deputado federal por Mato Grosso (PP-MT), votou contra a proposta. Para ele, o voto é uma das condições para a construção da democracia brasileira e uma conquista adquirida após anos de luta. "O Brasil lutou ao longo do século passado para ter um sufrágio que não discriminasse classe ou sexo e depois ainda tivemos que superar a ditadura. O voto é uma conquista que deve ser homenageada", disse Ezequiel, por meio de nota, na manhã desta quinta-feira.

Ezequiel Neves (PP-MT) votou contra, mas pauta dividiu opiniões entre representantes do estado - Foto: Assessoria

Com a proposta recusada, o voto continua obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para analfabetos. Ainda falta discutir outros pontos da reforma política, entre eles a possibilidade de alterar de quatro para cinco anos os mandatos de presidente, governadores, prefeitos, deputados, vereadores e senadores, dando fim à reeleição.  

Para Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual presidente da Câmara, a votação de todos os pontos da reforma política deve encerrar na primeira semana de julho, seguindo posteriormente para o Senado.

 

Equilíbrio

Mesmo com a maioria de votos contrários, o balanço dos votos de representantes do Mato Grosso foi bem equilibrado, com quatro votos contra e quatro a favor. Os deputados que votaram contra a proposta de instituir o voto facultativo são: Carlos Bezerra (PMDB), Ezequiel Fonseca (PP-MT), Ságuas Moraes (PT) e Valtenir Pereira (PROS). Votaram a favor: Adilton Sachetti (PSB), Fábio Garcia (PSB), Nilson Leitão (PSDB) e Professor Victório Galli (PSC).