Ararath
Janot diz que período eleitoral não afetará investigações em MT; procuradora foi ameaçada de morte
O procurador-geral da República criou uma força tarefa especial e disse que não tem reparos a fazer sobre atuação dos procuradores
11 de Julho de 2014, 09h22
O período eleitoral não afetará o trabalho da força-tarefa criada pelo Ministério Público Federal para apurar a prática de lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros investigados durante a 'Operação Ararath'. A garantia foi dada ontem pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que concedeu entrevista coletiva ontem em Cuiabá. Ele também elogiou o trabalho realizado até aqui e disse que a Procuradoria Geral da República (PGR) dará todo o respaldo necessário a atuação dos procuradores.
Durante a entrevista Janot também confirmou que a procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani foi ameaçada de morte e está sob a guarda da Polícia Federal. A origem da ameaça ainda não foi identificada, mas o motivo seria a atuação da procuradora que foi a responsável pelos pedidos de prisões feitos até o momento como desdobramento das investigações.
"Quero deixar claro que não há nenhum reparo a ser feito nos trabalhos da procuradora Vanessa Zago. Enquanto chefe do Ministério Público Federal (MPF), não tenho nada a dizer de trabalho negativo que tenha sido feito pela minha colega. É uma profissional de alto nível", disse Rodrigo Janot.
O trabalho da força-tarefa criada por Janot deve ser concluído em 60 dias, prazo que pode ser prorrogado se houver necessidade. Além da própria Vanessa Zago, a equipe é integrada também pelos procuradores da República, Ronaldo Pinheiro Queiroz, que atuava no Rio Grande do Norte, Rodrigo Leite Prado, antes lotado em Minas Gerais, Gustavo Pessanha Veloso que atuava na Procuradoria Regional da República da 1ª Região, e Denise Mulher Slhessarenko, que é de Mato Grosso e já atuava no caso.
Entre os investigados estão servidores públicos, empresários e políticos como o governador Silval Barbosa (PMDB), o senador Blairo Maggi (PR) e o deputado estadual José Riva (PR) - que concorre ao governo do Estado. A presença de candidatos entre os alvos levantou a suspeita de que a operação pudesse ser paralisada durante a campanha eleitoral, o que foi descartado pelo Procurador Gera.
"Eu diria que todos os atos precedem ao processo eleitoral. Se existe um processo eleitoral em curso agora, deve ser avaliado que esses atos criminosos foram praticados bem antes. Não é porque existe o processo que o Ministério Público Federal deixará de atuar. Existem ilícitos graves que merecem apuração", concluiu Janot.