"IRREMEDIÁVEL"
Maia dá tom confirmatório de ação e reação contra o presidente da República
11 de Julho de 2017, 11h25
O Temer do Temer. Assim vem sendo conhecido e extraoficialmente chamado o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia -DEM/RJ, sucessor natural à presidência da República em caso de precoce, porém, urgente, queda do peemedebista. O rito das articulações políticas encabeçado pela cúpula do PMDB com vistas ao impeachment da petista Dilma Rousseff agora se repete com efeito reverso. O feitiço virou contra o feiticeiro.
Antes, quem tramou contra Dilma foi Eduardo Cunha -PMDB, com público reconhecido aval de Temer. Desta vez, contra o próprio, quem sinaliza idêntico jogo é o Democrata, conversando e se reunindo com lideranças políticas.
Maia dialoga tanto com aliados quanto com o próprio presidente. E o papo, como se diz, é reto: a queda é "irremediável". A declaração partiu fonte presente em um dos encontros ao jornal Folha De São Paulo.
Segundo o interlocutor disse ao jornal, o presidente da Câmara afirmou ter dito ao próprio chefe da República que ele poderá sobreviver à votação, no plenário da Casa, da primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, mas que certamente sucumbiria quando a segunda acusação chegasse. Nada que Temer e seu governo imposto já não saibam.
Preocupado, Temer, na última semana, abandonou o encontro de líderes mundiais no G20 para voltar ao Brasil e cuidar do seu trincado teto de vidro. Não adiantou.
De volta aos encontro de Maia, reporta a Folha, um deles contou com a presença de Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo. Historicamente, o principal veículo da grande mídia vira as costas para o presidente a quem apoiou um ano antes. Sinal de que, como já sinalizara Maia e outros deputados, a relação azedou. Maia não quis comentar as reuniões.
A derrota na CCJ da Câmara pôs gasolina à fogueira do presidente nunca eleito. Após o deputado Sérgio Zveiter -PMDB/RJ apresentar seu relatório favorável à aceitação da denúncia contra Temer, a CCJ suspende a discussão do tema por duas sessões antes que o parecer possa ser votado pelo colegiado. Após a suspensão, os debates devem ser retomados e finalizados na quinta-feira, 13, com a autorização da votação do relatório.
Em um ano de governo, Temer sente o que é ser Temer.