NATURAL DE RONDONÓPOLIS

Morre artista plástico ícone das artes regionais de MT

Adir Sodré morreu na tarde desta segunda-feira (10). De acordo com as primeiras informações, o artista sofreu um mal súbito na porta de sua residência

por Karollen Nadeska, de Cuiabá

11 de Agosto de 2020, 07h53

Reprodução
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O artista plástico Adir Sodré, bastante respeitado no meio das Artes, morreu na tarde desta segunda-feira (10) após passar mal e em seguida sofrer um ataque cardíaco.

As primeiras informações são de que o profissional teria sofrido o ataque na calçada da porta de casa, no momento em que retornava da rua.

Nas redes sociais, inúmeras pessoas demonstraram estar consternada com a morte do artista.

Adir era natural de Rondonópolis (a 214 km de Cuiabá). A classe deve homenageá-lo durante o funeral que ainda não tem horário para iniciar.

O governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Cultura, emitiu uma nota de pesar pela morte de Sodré.

A causa da morte ainda não foi divulgada.

Leia a nota na íntegra:

O Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso, lamenta profundamente a morte do artista mato-grossense Adir Sodré. Um ícone das artes plásticas que retrata a cultura regional, Adir faleceu no fim da tarde desta segunda-feira, em sua residência, em Cuiabá.

Ainda não há informações oficiais sobre a causa da morte.

“É uma imensa perda para a cultura mato-grossense. Um homem que sempre esteve além do seu tempo. Um artista com um potencial incrível e que teve sua arte reconhecida, não apenas em Mato Grosso, mas no Brasil e no Museu de Arte Moderna de Paris. Adir Sodré fará muita falta para a nossa cultura e para os amigos e familiares”, destacou o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Alberto Machado, o Beto Dois a Um.

O local do velório do artista, que nasceu em Rondonópolis e tinha 58 anos, ainda não foi informado.

Breve história

Adir Sodré de Souza nasceu em Rondonópolis, em 1962. Aos 15 anos iniciou no Atelier Livre da Fundação Cultural de Mato Grosso na UFMT, em Cuiabá, sob a orientação de Humberto Espíndola e Dalva de Barros.

Durante a década de 1970, suas pinturas foram registros da vida cotidiana nos bairros populares de Cuiabá e também da paisagem regional. Produziu obras com temática social de caráter irreverente. O artista manteve diálogo constante com tradição da História da Arte.

A partir da década de 1980, Adir Sodré incluiu em suas obras a temática relacionada aos povos indígenas, à invasão causada pelo turismo em determinadas regiões do país e ao consumismo, este último exemplificado no quadro Dolores Descartável (1984).

Adir participou de exposições coletivas organizadas pelo Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso (MACP/UFMT) e também de outras coletivas: Como Vai Você, Geração 80?, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), Rio de Janeiro, em 1983, e Modernidade, Arte Brasileira no Século XX, no Museu de Arte Moderna de Paris, em 1987.

Na Enciclopédia do Itaú Cultural, seu trabalho é apresentado como com "diálogo constante com a tradição da história da arte”, e faz referências, entre outros, aos pintores Vincent van Gogh (1853-1890) e Diego Velázquez (1599-1660).

O artista é reconhecido nacionalmente por suas obras. Em 2017, um de seus quadros esteve ao lado de Pablo Picasso, Adriana Varejão e tantos outros na exposição 'Histórias da Sexualidade', no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.

Em diversas ocasiões produziu trabalhos em Rondonópolis, entre eles uma pintura no muro do EEMOP, e performances no Centro Cultural José Sobrinho e no Casario.