CESTA BÁSICA DE ALIMENTOS

Leite, arroz, açúcar, café e óleo puxam queda do preço da cesta básica de alimentos em dezembro

Levantamento da Conab e do DIEESE no último mês do ano passado mostra redução em nove capitais e aponta alívio pontual no custo de itens essenciais para alimentação no orçamento das famílias em parte do país

por da Redação

12 de Janeiro de 2026, 08h21

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Divulgação

Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgaram nesta quinta-feira (08) a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro/2025, estudo publicado em parceria entre as duas instituições desde agosto do ano passado. Segundo o levantamento, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais, diminuiu em outras nove cidades e se manteve estável em um município, João Pessoa (PB), em que o preço permaneceu em R$ 597,66.

Entre novembro e dezembro de 2025, as elevações mais importantes ocorreram em Maceió/AL (3,19%), Belo Horizonte/MG (1,58%), Salvador/BA (1,55%), Brasília/DF (1,54%), Teresina/PI (1,39%), Macapá/AP (1,23%), Goiânia/GO (1,19%) e Rio de Janeiro/RJ (1,03%). Já as quedas mais expressivas ocorreram em Porto Velho/RO (-3,60%), Boa Vista/RR (-2,55%), Rio Branco/AC (-1,54%), Manaus/AM (-1,43%) e Curitiba/PR (-1,03%).

São Paulo segue sendo a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresenta o maior custo (R$ 845,95), seguida por outras capitais do Centro-Sul como Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22). Em contraponto, nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01), Recife (R$ 596,10), Natal (R$ 597,15) e João Pessoa (597,66).

*Alimentos com maior queda –* Leite integral, arroz agulhinha, açúcar, café em pó e óleo de soja foram os principais produtos que fazem parte da cesta básica de alimentos que tiveram redução de preços. Apresentando a maior queda dentre as capitais, o arroz agulhinha teve o preço reduzido em 23 das 27 cidades, sendo as maiores diminuições registradas em Maceió/AL (-6,65%) e Vitória/ES (-6,63%). Em Cuiabá/MT e Porto Velho/RO, o valor não variou. Em Recife/PE (2,36%) e em Manaus/AM (1,04%) houve alta. As causas para os preços mais baixos foram o menor volume exportado e a demanda retraída, que resultaram em novas diminuições do custo do grão no varejo.

Em seguida, o leite que caiu em 22 das 27 cidades, com variações entre -5,61%, em Curitiba (PR), e -0,69%, em Recife (PE). Em Palmas (TO), Aracaju (SE) e Maceió (AL), o valor não se alterou e observou-se aumento em outras duas cidades: Boa Vista (RR) com 3,28% de alta e Macapá (AP), com adição de 0,26%. De acordo com a pesquisa, a maior oferta interna, consequência da produção no campo e das importações de derivados, fez com que os preços diminuíssem no varejo.

Com maior oferta no varejo, o açúcar também apresentou menores valores em 21 capitais, com reduções entre -5,94%, em Teresina/PI, e -0,40%, em Florianópolis/SC. Em São Luís/MA, o valor médio não teve alteração. Houve aumento em cinco localidades, com destaque para Macapá/AP (1,51%).

O café em pó diminuiu em 20 cidades, com oscilações entre -3,35%, em Palmas/TO, e -0,07%, em Macapá/AP. Houve aumento em outras sete cidades, sendo que a variação mais alta foi verificada em Manaus/AM (3,97%). As tarifas impostas pelos Estados Unidos, um dos maiores compradores de café, e as incertezas em relação à negociação reduziram as exportações e os preços no varejo.

Por fim, a maior oferta global da soja impactou na redução do valor do óleo no varejo, o qual ficou mais barato em 17 cidades, com destaque para os percentuais em Belo Horizonte/MG (-6,68%) e São Luís/MA (-5,90%). Em Porto Alegre/RS e Fortaleza/CE, o valor médio não se alterou e, em oito cidades, foi observada alta, sendo que a maior variação ocorreu em Belém/PA (3,54%).

Salário mínimo ideal e horas trabalhadas para aquisição da cesta – Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83 ou 4,68 vezes o mínimo de R$ 1.518,00. Em novembro, o valor necessário era de R$ 7.067,18 e correspondeu a 4,66 vezes o piso mínimo. Em dezembro de 2024, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.067,68 ou 5,01 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.412,00.

Em dezembro de 2025, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais foi de 98 horas e 41 minutos, pouco maior do que o registrado em novembro, quando ficou em 98 horas e 31 minutos. Já em dezembro de 2024, considerando apenas as 17 capitais, a jornada média foi de 109 horas e 29 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em dezembro de 2025, 48,49% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em novembro, 48,41% da renda líquida. Em dezembro de 2024, considerando as 17 capitais, o percentual médio ficou em 53,80%.

Parceria Conab e Dieese – A coleta de preços de alimentos básicos foi ampliada de 17 para 27 capitais brasileiras, resultado da parceria entre a Conab e o Dieese. A iniciativa reforça a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Os primeiros resultados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos com todas as capitais começaram a ser divulgados em agosto de 2025.

Para acessar informações detalhadas sobre os valores dos produtos que compõem a cesta básica nas 27 capitais, consulte a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica de Alimentos referente a dezembro de 2025 no site da Conab e no portal do DIEESE.