Exclusivo
Ana Carla faz análise da campanha, fala sobre o futuro e diz que mulheres estarão representadas
Em entrevista ao Gazeta MT, futura primeira dama falou também sobre a relação com a família e disse que não pretende disputar eleições
12 de Novembro de 2012, 17h00
A partir de janeiro do ano que vem Ana Carla Luz Borges Leal Muniz volta a ser primeira-dama do município e engana-se quem imagina que ela terá uma postura figurativa no novo governo. Ela ainda não sabe se exercerá cargos no futuro governo, mas não há dúvidas de que será uma das pessoas mais ouvidas pelo prefeito Percival Muniz - parceiro na vida pessoal e também nas batalhas políticas há mais de 20 anos. Na semana passada Ana Carla recebeu a equipe do GazetaMT e durante quase uma hora conversou sobre a vida familiar, a trajetória política e também sobre as expectativas futuras. Ela mostrou-se otimista em relação a gestão de Percival Muniz e Rogério Salles e, como eles, prevê um governo marcado pela transparência e pelos avanços na área social.
Ana Carla nasceu no meio político. É filha do ex-prefeito e ex-deputado estadual Cândido Borges Leal e cresceu vendo a família atuando em campanhas eleitorais. O envolvimento com a política só aumentou após o casamento com Percival Muniz, que já foi deputado federal, deputado estadual e prefeito - entre outros cargos públicos.
Mas, além da bagagem trazida pelo convívio com lideranças políticas de expressão, ela acumula ainda a experiência individual propiciada pela disputa eleitoral (teve quase 20 mil votos e chegou a exercer mandato como deputada Estadual) e também pelo exercício de cargos relevantes como a secretaria Municipal de Assistência Social e a Secretaria Estadual de Educação (gestão Blairo Maggi). Na administração pública, sua atuação ganhou destaque pelo apoio a projetos como a 'Escola Atrativa', o 'Casamento Comunitário' e o apoio aos centros de convivência de idosos.
Sua capacidade de gestão foi testada também na última campanha municipal, quando respondeu pela coordenação geral da campanha do marido. Estreando numa função tradicionalmente ocupada por homens, ela conseguiu superar desafios e ajudou Percival e Rogério a obterem a maior vitória eleitoral já vista na cidade.
Confira abaixo os principais pontos da entrevista.
Coordenação Geral da Campanha
Foi uma experiência inovadora para mim. A decisão ocorreu quase por acaso. Como a cidade cresceu muito e a população exigia a presença dos candidatos, precisávamos de alguém para coordenar o exército de aliados, a maioria formada por voluntários. Fui convocada e quando sentei para definir o organograma fiquei surpresa com a complexidade. Basicamente fiz uma rearranjo das funções visando dar mais agilidade as ações, respeitei a atuação das coordenadorias e intercedi quando necessário. Fui firme, mas sem perder a ternura
O resultado foi positivo. Conseguimos utilizar bem as reuniões, entrevistas, os programas no rádio e na TV, os atos públicos, enfim todas as oportunidades criadas para que os candidatos mostrassem o que tinham a oferecer em termos de compromissos e propostas. Tivemos condições também de mostrar o que já foi feito, reafirmando a condição do Percival como o prefeito das 'grandes obras'.
Fatos que marcaram a campanha
Do lado negativo, fiquei muito impressionada com o drama de uma moradora que encontrei implorando por atendimento na Policlínica da Vila Operária. Em um depoimento emocionante, que chegou a ser exibido parcialmente no programa da TV, ela dizia que a única coisa que desejava era ser tratada com dignidade. Ela pedia o básico, ter um médico para atendê-la. Fiquei tocada com aquela situação e acho que precisamos trabalhar para evitar a repetição de cenas como aquela.
Por outro lado, fiquei positivamente marcada com o carinho das pessoas que pediam a volta do Percival. Senti isso entre servidores públicos, líderes comunitários, donas de casas, comerciantes, enfim, gente de todas as categorias. Nunca vou esquecer da esperança que brilhava nos olhos das crianças que nos cercavam nos bairros. Foi lindo perceber o carinho da população com o Percival e a confiança depositada em nossas propostas.
Nova gestão na Prefeitura
Estou otimista, Acho que a Prefeitura pode melhorar a gestão dos recursos que tem e, ajustando a máquina, oferecer um atendimento melhor nas áreas 'fins' (Educação, Saúde, Saneamento etc.).
Acredito também numa ação forte na área Social. O Percival tem um comprometimento histórico com este setor e, assim como fez da primeira fez em que governou a cidade, certamente buscará agora promover uma gestão de excelência para evitar problemas e ampliar o alcance dos programas sociais.
Penso que o momento agora é de ouvir as entidades, estudar o orçamento e preparar bem as ações que serão implementadas na próxima gestão. Não devemos nos preocupar com os nomes que vão compor o governo, mas sim com o atendimento das expectativas e demandas existentes.
Educação
Acho que podemos fazer muito nesta área. Gosto de citar como exemplo o que conseguimos realizar no período em que comandei a Secretaria Estadual de Educação. Assumi o cargo tendo mais de 32 mil servidores em cerca de 500 escolas em todo o Estado. Depois de fazer um bom diagnóstico da situação e praticamente sem alterar o orçamento, conseguimos fazer ajustes que apresentaram resultados em menos de quatro anos. Neste período a qualidade do ensino de Mato Grosso no ranking nacional saltou da 22ª para a 12ª posição. Saímos da oitava posição em termos salariais, para a quarta posição. A gestão administrativa também foi melhor avaliada e conseguimos ainda fazer grandes investimentos como a construção da sede própria da Secretaria e a reforma de centenas de escolas.
Essa série de sucessos foi fruto do trabalho de uma boa equipe, que se envolveu no propósito de gerir bem os recursos disponíveis. Penso que é possível resgatar esta filosofia aqui, valorizando os profissionais e ampliando a discussão. Aliás, é bom que se diga, a 'Gestão Democrática' não se resume ao repasse financeiro. Ela é, sobretudo, o processo de compartilhar decisões - ouvindo a comunidade e buscando soluções em conjunto com todos os envolvidos no processo educacional.
Participação feminina
Acho muito triste o fato de não termos mulheres na Câmara de Vereadores, até porque nós representamos metade da população. Talvez isso ocorra um pouco por medo do custo das campanhas. Nós, mulheres, costumamos ser mais realistas com os compromissos e avessas às dívidas. Isso se agrava devido a dificuldade em obter financiamento para as campanhas. Há também a questão cultural que, infelizmente, ainda é um peso para todas as mulheres. O fato é que hoje os partidos tem dificuldades até para preencher o percentual mínimo destinado às candidatas.
Mas, acredito que as rondonopolitanas estarão bem representadas na composição do Executivo Municipal. O Percival prestigiou muitas mulheres da outra vez em que administrou a cidade e estou certa que ele não agirá diferente agora.
Disputas eleitorais
Minha campanha como candidata a deputada estadual durou 100 dias e devo ter chorado pelo menos umas 50 vezes por motivos variados, que iam do estresse até saudades da família. Mas não foi esse sofrimento que me levou a afastar a possibilidade de repetir a experiência.
Na verdade, primeiro me desvinculei da atuação partidária para assumir a Seduc/MT. Achei que isso seria importante para evitar prejuízos políticos à minha gestão como secretária. Neste período continuei refletindo sobre o assunto e cheguei a conclusão de que já é suficiente ter um político em casa. Foi uma decisão consciente, tranquila e sem mágoas. Aliás, é possível ter uma vida política sem ser candidato.
Família
Os nossos filhos cresceram juntos dessa loucura que é a vida pública. Sempre procuramos poupá-los, mas os sacrifícios são inevitáveis. Nem sempre estamos presentes e tentamos suprir isso dando mais qualidade a nossa convivência quando estamos juntos. Hoje temos também os recursos tecnológicos, que permitem um contato quase que integral com eles - que estão cursando faculdade fora de Rondonópolis. Apesar de todas as dificuldades, temos uma relação baseada no companheirismo, no afeto, no respeito e, sobretudo, no amor.