VILA OPERÁRIA
Moradores fazem bolo de aniversário para protestar contra obra que foi inaugurada há um ano e continua de portas fechadas
12 de Novembro de 2023, 16h02
Cansados de esperar por uma resposta do poder público, moradores da região da grande Vila Operária resolveram fazer um protesto bem-humorado para chamar atenção das autoridades competentes para uma situação de descaso com o dinheiro da sociedade.
Ocorre que há mais de um ano a Prefeitura de Rondonópolis inaugurou o Centro Especializado de Odontologia – CEO, na Vila Itamarty, região da grande Vila Operária e nunca funcionou de fato.
A administração municipal investiu R$ 500 mil para construir o órgão, que deveria disponibilizar ao longo do dia serviços como canal, cirurgias e próteses dentárias, mas de acordo com os presentes no protesto, passados mais de 12 meses nada está funcionando. “É um absurdo uma estrutura desse tamanho ficar parada todo esse tempo. Centenas, milhares de pessoas já poderiam estar usando o CEO para tratamento da saúde bucal. Algumas pessoas estão sofrendo com dor, porque não podem pagar um profissional particular, outras estão tomando dinheiro emprestado, se endividando, para tentar acabar com o sofrimento. Isso é uma tremenda falta de respeito com os mais necessitados”, critica Wilber Maciel, presidente da Associação de moradores dos bairros Jardim Eldorado, Santa Fé, Mirassol e Copacabana.
Segundo publicação da Prefeitura de Rondonópolis, o Centro Especializado de Odontologia deveria funcionar com seis consultórios dentários para atender a população. “Numa conta rápida poderíamos colocar que pelo menos 30 pessoas poderiam receber atendimento por dia e umas 600 por mês. Ao longo desse tempo que as portas do CEO estão fechadas, posso afirmar com tranquilidade que mais de 7.000 pessoas poderiam estar recebendo atendimento de graça”, lembra Wilber.

De acordo com o comunitário, o chamado “CEADAS da Odontologia”, só funcionou de fato no dia do descerramento da faixa de inauguração. “Já denunciamos na imprensa várias vezes e volto a afirmar, a Prefeitura apenas uma pessoa lá dentro para ficar dizendo que o local não está fechado, mas isso é uma mentira. O atendimento público não existe e ninguém dá prazo para começar. Eu mesmo fiz vários requerimentos cobrando algum tipo de resposta, até agora nada de atenção com o povo. Tentamos algo na esfera administrativa e não funcionou. Agora nós também vamos mudar o tom da cobrança”, garante a liderança.
Sem diálogo com o poder público do município, o comunitário já organizou vasta documentação para ser entregue para órgãos fiscalizadores. “Ao lado de outras lideranças da Vila Operária, vamos procurar o Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal entregar documentação, que esperamos que seja suficiente para que essas entidades acionem a Prefeitura e consigam colocar um fim no sofrimento do trabalhador, que precisa de uma saúde pública funcionando com eficiência e qualidade”, completa.