CRISE SEM FIM

Mato Grosso adia pagamento de R$ 140 milhões a banco dos Estados Unidos

por Estevan de Melo

12 de Março de 2019, 14h22

Mato Grosso adia pagamento de R$ 140 milhões a banco dos Estados Unidos
Mato Grosso adia pagamento de R$ 140 milhões a banco dos Estados Unidos

Diante da crise financeira que Mato Grosso enfrenta que já culminou no fechamento de 21 delegacias no interior e escalonamento do pagamento de folha salarial, o governador Mauro Mendes decidiu se valer de uma cláusula contratual e não efetuar o pagamento de R$ 140 milhões referente a um acordo que Mato Grosso firmou com o Bank Of América na gestão do ex-governador Silval Barbosa no tocante a renegociação da dívida mantida com o governo federal. 

O último pagamento deveria ter sido honrado no dia 10 de março. Porém, Mendes recorreu a uma cláusula no contrato que permite que o Executivo atrase o pagamento da parcela em até 30 dias da data do vencimento. Nos bastidores, se comenta que se trata de uma estratégia para Mato Grosso, neste período de 30 dias, conseguir renegociar renegociar o pagamento das parcelas com o banco americano, considerada atualmente "impagável" por conta da crise financeira que assola o Estado. 

“A matriz do banco americano, que fica nos Estados Unidos, está avaliando esse pedido que nós fizemos para postergar o pagamento desta parcela para setembro. O contrato prevê que você pode usar - por três vezes - a cláusula que estabelece a possibilidade de pagamento em até 30 dias após o vencimento”, disse o secretário de Fazenda, Rogério Gallo.

O secretário de Fazenda Rogério Gallo ainda ressaltou que Mato Grosso mantém negociações com o Banco Mundial. A ideia é que o Banco Mundial compre a dívida do Bank Of America e Mato Grosso passaria a figurar com novo credor.  

Atualmente, a dívida de Mato Grosso com o Bank Of América vence em 2022. Com a renegociação, se alongaria por mais 20 anos. Com isso, o Estado deixaria de desembolsar US$ 70 milhões ao ano, para pagar R$ 12 milhões por ano.

“O que queremos é trocar de dívida. Vamos pegar um financiamento com juros menores e prazos alongados com o Banco Mundial. O que desejamos é uma dívida mais barata e alongada”, disse Gallo.