INICIATIVA PIONEIRA

Rondonópolis sedia primeiro fórum de discussão sobre erradicação do trabalho infantil

Entre as metas está a de conseguir manter uma parceria permanente com os empresários da cidade e estreitar os laços com as famílias

por GazetaMT

12 de Abril de 2016, 09h14

Rondonópolis sedia primeiro fórum de discussão sobre erradicação do trabalho infantil
Rondonópolis sedia primeiro fórum de discussão sobre erradicação do trabalho infantil

A reordenação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, definida pelo Governo Federal há cerca de dois anos, estimulou a equipe da Secretaria de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis a realizar o primeiro fórum intersetorial sobre o tema que vai acontecer na sexta-feira (15), no auditório da Secretaria de Educação do Município. A iniciativa pioneira tem o objetivo de formar uma rede de proteção às famílias que vai trabalhar para atingir a meta nacional de erradicação do trabalho infantil até 2020.

Rosilei Apolinário - coordenadora do Programa de Erradicação do trabalho Infantil no Município - Peti - avalia que o trabalho infantil que ocorre em Rondonópolis está invisível, já que não aparece dentro do programa de proteção à criança. E a expectativa é conseguir mobilizar e sensibilizar os profissionais das áreas pertinentes, a partir da realização do fórum que vai reunir palestrantes do Ministério Público do Trabalho - MPT e das secretarias de Saúde e de Trabalho e Assistência Social do Estado (SES e Setas).

A gestora explica que com a sensibilização dos profissionais vai ser possível elaborar o fluxo de atendimento, identificar as situações de trabalho infantil e saber fazer o encaminhamento necessário para encontrar solução. A expectativa é conseguir levantar a demanda e despertar os técnicos de áreas como a Saúde e a Educação para saber identificar casos como o de trabalho doméstico. "Esta é uma situação adormecida que precisa ser acordada", alerta.

Rosilei Apolinário esclarece que nos últimos anos ocorreu mudança na característica do trabalho infantil e defende que é preciso também mudar a forma de pensar e entender que direito o adolescente tem. "O trabalho na infância é crime quando meninas e meninos não têm idade adequada e fazem atividades que não são adequadas", reforça a coordenadora do Peti e organizadora do fórum que deve servir de modelo para outras cidades brasileiras.

Parceria ampla

Irineia de Melo - gerente do Departamento de Proteção Social Especial - informa que a proposta de trabalho para erradicação do trabalho infantil no município começa com a discussão sobre o tema durante o fórum e conta com a parceria de diversos segmentos. Dentro da estrutura do Governo Municipal, os organizadores buscaram a parceria das Pastas de Saúde e Educação. A ajuda do Governo do Estado vem das equipes da Saúde e da Setas. Outro apoio importante é do Ministério Público do Trabalho - MPT.

Entre as metas almejadas está a de conseguir manter uma parceria permanente com os empresários da cidade e estreitar os laços com as famílias. Irineia de Melo informa que o trabalho vai ser de orientar os empresários da cidade, principalmente no sentido de assegurar os direitos trabalhistas para o adolescente. As famílias também vão contar com uma base de orientação. Ela acrescenta que com o reordenamento, o Peti vai fazer a articulação da rede da família amparada pelas políticas públicas. "Não vamos punir empresários nem famílias. Vamos orientar a todos, apontar caminhos e mostrar soluções", reforça.

Rolisei Apolinário acrescenta que Rondonópolis é o primeiro município do Estado a promover um evento com a proposta de fazer a articulação da rede de proteção às famílias e aos adolescentes em situação de trabalho infantil, desde a decisão do Governo Federal de fazer o redesenho do Peti, há cerca de dois anos. Todas as ações realizadas a partir do fórum vão passar por uma avaliação no fim do ano. O resultado do trabalho é que vai definir os próximos passos, em 2017.

Programação

O 1º Forum Intersetorial sobre a Erradicação do Trabalho Infantil de Rondonópolis começa às 8 horas do dia 15, com a palestra da representante do MPT, Mariana Casagranda, que vai falar sobre o 'histórico do trabalho infantil no Brasil, em Mato Grosso e Rondonópolis'. Ela vai destacar as 'piores formas de trabalho infantil'. Mariana prossegue depois com a palestra sobre 'legislação trabalhista'. O destaque é para históricos, avanços e proteção à criança e ao adolescente no mundo do trabalho.

Dúbia Beatriz Oliveira Campos do Centro de Referência em Saúde do Estado retoma os trabalhos do fórum às 13 horas, com a palestra sobre o tema Lista TIP (tipos de trabalho infantil, riscos aos quais as crianças e os adolescentes são expostos e prováveis reflexos ou consequências dos mesmos. Ela conduz em seguida o debate com os participantes.

Arlindo de Arruda e Silva Filho que atua na Setas conclui o ciclo de palestra com esclarecimentos sobre o redesenho do Peti, identificação, encaminhamento e acompanhamento de crianças e adolescentes e a rede socioassistencial.