OPINIÃO

Conhecimento e reflexão para não se deixar enganar

por Samuel Hanan

12 de Abril de 2026, 06h00

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Divulgação

Entramos em um ano eleitoral. Esse período certamente será marcado por intensa propaganda, permeada por muitas mentiras, meias-verdades e promessas – novas e requentadas – na tentativa de ganhar o voto do eleitor.

Quem está, de fato, interessado em fazer a melhor opção para o Brasil precisa conhecer ou se lembrar de alguns dados fundamentais para decidir com consciência quando chegar o momento das urnas. Vamos a alguns fatos.

De 23 anos para cá, o Brasil foi governado pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu partido (PT), durante 16 anos e meio, ou seja, em 70% do período. É impossível, portanto, dissociar a responsabilidade do atual governo da situação do país neste momento.

Atualmente, de acordo com o IBGE e o Banco Mundial, o Brasil tem quase 60 milhões de pessoas vivendo com renda per capita mensal inferior a R$ 600. É pouco mais de um terço do salário mínimo. Além disso, cerca de 70% dos aposentados e pensionistas do INSS, que somam 27 milhões de pessoas, recebem apenas um salário mínimo mensal.

No país, são mais de 4 milhões de pessoas idosas e com deficiência sem nenhuma renda, sustentando-se exclusivamente com um salário mínimo mensal garantido pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), sem direito ao 13º salário.

Temos ainda de 20 milhões a 21 milhões de famílias – mais de 60 milhões de brasileiros – recebendo o benefício do Bolsa Família, em média inferior a R$ 700/mês, sendo condição para ter acesso ao programa estar registrado no cadastro único e viver na pobreza (com renda de até R$ 665/mês) ou na extrema pobreza (renda inferior a R$ 209/mês) segundo dados do IBGE.

De toda a população que trabalha no setor privado e contribui para o INSS, 35,63% (ou quase 34,5 milhões de cidadãos) recebem vencimentos mensais de apenas um salário mínimo. Outros 30% desse contingente ganham entre um e dois salários mínimos por mês.

No setor público, há cerca de 2 milhões de cidadãos, servidores municipais, que recebem apenas um salário mínimo/mês. Isto é: no Brasil de hoje, entre 97 milhões e 100 milhões de pessoas vivem com menos de um salário mínimo por mês.

Ninguém fez essas contas, mas o governo federal, mesmo sabendo das enormes desigualdades regionais, sociais, raciais e educacionais, agravou ainda mais as dificuldades dos 50% mais pobres da população, essa enorme massa que vive com menos de um salário mínimo por mês.

Mas não é só. Mais de 60 milhões de pessoas beneficiárias do Bolsa Família vêm perdendo a capacidade de comprar alimentos por causa da inflação – de 2024 (4,83%) e de 2025 (4,26%) –, somada aos 33 meses sem reajuste do benefício. Essa perda foi de R$ 390,43 em 2025 e chegará a R$ 755,64 ao fim de 2026.

Beira o deboche o governo gastar tanto com esse tipo de despesa, suportada com recursos retirados do bolso e das mesas dos trabalhadores.

Vale lembrar o ensinamento de John Kenneth Galbraith (1908-2006): “Nada mais eficaz para limitar a liberdade, incluindo a liberdade de expressão, como a total falta de dinheiro”. Indo além, cito também Harry Edson Browne (1933-2006): “O governo é bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe dar uma muleta e dizer: ‘Veja, se não fosse pelo governo, você não seria capaz de andar!’”. Digam-me se não é exatamente o que estamos vivendo, o cenário atual.

O povo brasileiro, que possui a liberdade e o poder do voto, precisa de informações corretas e muita reflexão para não se deixar enganar pela propaganda eleitoral que vem por aí.

*Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva”, “Caminhos para um país sem rumo” e “Amazônia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial”. Site: https://samuelhanan.com.br