Greve na Educação

Professores rejeitam proposta do Governo e movimento grevista continua

A decisão foi tomada durante Assembleia Geral na tarde desta sexta-feira (12), na Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá.

por De Cuiabá-Sabryna Carvalho

12 de Julho de 2019, 17h40

Professores rejeitam proposta do Governo e movimento grevista continua
Professores rejeitam proposta do Governo e movimento grevista continua

Os Professores da rede estadual de educação rejeitaram mais uma proposta do Governo e decidiram pela continuidade do movimento grevista. Participaram da votação 71 representantes de municípios, a decisão foi tomada durante Assembleia Geral na tarde desta sexta-feira (12), na Escola Estadual Presidente Médici, em Cuiabá. A categoria está de braços cruzados desde o dia 27 de maio.

Os profissionais da educação reivindicam o cumprimento da Lei 510/2013, que assegura a dobra do poder de compra dos salários e o pagamento do Reajuste Anual (RGA). Na última segunda-feira (08), houve uma audiência de conciliação entre Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep) e o Governo. O Executivo apresentou na ocasião, a proposta que prevê um cronograma para a reposição dos pontos cortados, 50% dos valores descontados deverão ser pagos até 26 de julho e o restante até 27 de agosto. O Executivo também se comprometeu a se reunir a cada quatro meses com a direção do Sintep, para avaliar os impactos dos ajustes fiscais de cada quadrimestre, e assim que este quadro for mais positivo, o Governo finalmente pagaria o reajuste previsto na lei estadual 510/2013, que prevê um reajuste anual de 7,69% acima da inflação, para garantir a dobra do poder de compra dos salários dos professores até o ano de 2023.

A categoria afirmou durante a Assembleia, que a posição do Governo de não avançar nas negociações, deixa os professores ainda mais insatisfeitos e que a greve irá permanecer até que de fato seja apresentado uma proposta. "O documento do governo, apesar de ter apresentado uma proposta em relação ao corte de ponto e as reuniões, ele não assume o compromisso efetivo de cumprimento da Lei 510/2013 e diante dessa proposta a categoria apontou pela continuidade da greve por tempo indeterminado e continuará com as mobilizações. Principalmente para que a proposta da Assembleia Legislativa de Mato Grosso seja respeitada pelo Governo", explica o presidente do Sintep, Valteir Pereira.

O presidente do Legislativo estadual encaminhou um ofício na quarta-feira  (10), ao Governo em que sugere ao governador Mauro Mendes (DEM) que conceda o aumento de forma parcelada em três vezes, sendo 2,6% na folha salarial de agosto, mais 2,6% na folha de novembro e 2,49% de reajuste na folha de fevereiro de 2020, o que totalizaria os 7,69% de aumento cobrado pelos professores e previstos na lei 510/2013, que prevê a dobra do poder de compra dos professores até o ano de 2013.

A sugestão de Botelho foi formatada após os deputados se reunirem com representantes do Sintep, para tentar pôr fim ao movimento grevista. Segundo o presidente da AL, o Estado teve incremento de R$ 224,5 milhões na receita por meio do ICMS no primeiro quadrimestre de 2019. Apesar de dizer que respeita o posicionamento dos deputados, o Governo rejeitou a proposta.

 A categoria preparou o funeral do Governador como forma de demonstrar, que para os professores, essa gestão já nasceu "morta".

Dificuldades:

Após o corte de ponto dos professores que permanecem em greve, a categoria alega que inúmeros educadores já estão passando por dificuldades. Para tentar amenizar a situação, os próprios professores organizaram uma arrecadação de alimentos.Professores realizam campanha de arrecadação de alimentos. A professora da rede estadual de Várzea Grande, Sandra Regina disse estar decepcionada com a atitude do Governo. Ela conta que se mudou do estado de São Paulo acreditando no potencial de Mato Grosso. Sandra   alega que está passando por dificuldades financeiras. "Não me sinto constrangida de receber a cesta básica, mas o governador Mauro Mendes deveria se sentir, pois fomos enganados durante a campanha eleitoral. Ele que não respeita as leis e os professores. Quando me mudei para Mato Grosso, acreditei em uma vida melhor, agora passo por dificuldades", desabafa a educadora.