CRIME NO ALPHAVILLE

Namorado de adolescente que matou Isabele foi orientado para não receber culpa da morte e apagou mensagens após tragédia

Isabele Guimarães Ramos, 14 anos, foi morta com um tiro na cabeça no dia 12 de julho, dentro da residência de uma amiga no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá.

por Daffiny Delgado, de Cuiabá

12 de Agosto de 2020, 11h24

Imagem: Daffiny Delgado / Gazeta MT
Imagem: Daffiny Delgado / Gazeta MT

Prints de uma conversa envolvendo o adolescente de 16 anos, namorado da autora do disparo que matou Isabele Guimarães Ramos, mostram que ele apagou diversas mensagens enviadas ao próprio irmão, onde conta detalhes sobre a tragédia, realizadas no aplicativo WhatsApp.

Na conversa, o menor ainda foi orientado para que as pessoas não coloquem a culpa nele por conta do ocorrido e, posteriormente, apagou as mensagens.

Isabele, de 14 anos foi morta com um tiro na cabeça no dia 12 de julho, dentro da residência de uma amiga no condomínio de luxo Alphaville, em Cuiabá.

Inicialmente o caso estava sendo tratado como disparo acidental, que tirou a vida da adolescente.

No entanto, um laudo pericial realizado na arma utilizada no crime, afirma que o tiro que atingiu a adolescente ocorreu após "acionamento regular do gatilho" da pistola Imbel .380 que estava em poder de sua amiga, da mesma idade.

De acordo com o documento, diversas mensagens trocadas, onde possivelmente o menor tenha detalhado o ocorrido ao irmão.

No dia da morte de Isabele, por volta das 22h35, o namorado da investigada escreve: “A guri mo...”. “Eu não estou entendendo nada”, escreveu.

Às 22h37, o irmão responde perguntando; "Que guria mano? Não comenta com ninguém. Que guria mano?

Por volta da meia noite e quarenta do dia 13, o irmão volta a mandar mensagem orientando o menor para que ninguém possa, futuramente, culpa-lo pelo acontecido.

"Tira print das conversas importantes, porque todo mundo vai querer colocar a em você. Não deixa isso acontecer", diz trecho de conversa.

Já no dia 14 por volta das 11h41, é possível perceber que o adolescente apaga três mensagens. Pouco tempo depois, ele recebe uma mensagem do irmão dizendo; “Ai tomou”.

Em seguida, outros trechos da conversa são apagados e o namorado da investigada envia para o irmão, "apaga aí".

As mensagens devem ser analisado pelo delegado Wagner Bassi, titular da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), responsável pelas investigações.