Denúncia
Eleição em Rondonópolis gera debate e acusações em sessão da Assembléia Legislativa
Barreto (PR) diz que há 'malandros' na Prefeitura e Percival Muniz (PPS) pediu atenção dos deputados contra abusos em Rondonópolis
12 de Setembro de 2012, 07h41
O deputado estadual Hermínio J. Barreto (PR) disse ontem (11) que há servidores 'malandros' tentando sabotar a gestão do prefeito Ananias Filho , que é do mesmo partido do parlamentar e disputa a reeleição pela coligação 'Todos Por Rondonópolis". A acusação foi feita durante sessão ordinária da Assembléia Legislativa, em resposta às denúncias feitas por Percival Muniz (PPS) sobre perseguição política e abuso de poder visando influenciar o processo eleitoral na cidade. Percival também é candidato pela coligação 'Força da Gente, e lidera isolado as pesquisas de opinião feitas até o momento.
Barreto demonstrou irritação com a afirmação de Muniz de que o prefeito Ananias Filho teria implantado câmeras de vigilância como forma de espionar e aterrorizar os servidores públicos que se recusam a apoiá-lo. "É pior do que acontecia na Ditadura", reclamou Muniz.
O republicano, que já havia usado a tribuna antes, voltou a usar o microfone após o pronunciamento de Percival Muniz para defender a decisão do prefeito. Segundo ele, a medida visa impedir tentativas de sabotagem contra a administração atual.
"As câmeras foram instaladas porque tem funcionários querendo sabotar a gestão e retirando documentos da Prefeitura. O prefeito está cuidando para que um grupo de malandros não impeçam sua gestão" afirmou.
Barreto não citou nomes dos 'malandros', mas, em outro momento do pronunciamento, afirmou que o prefeito havia exonerado o ex-secretário municipal de Saúde, Valdecir Feltrin (PMDB), devido a tentativas de sabotar as ações no setor em que atuava.
Alinhamento e PMs
Durante o discurso Percival Muniz denunciou também pressões que estariam sendo feitas sobre servidores do Estado no município, em especial os policiais militares. Conforme ele a situação é tão grave que os PMs tem solicitado reuniões noturnas e às escondidas para poderem declarar o apoio à sua candidatura sem risco de retaliações. "Isso é muito triste e coloca em risco o embate político democrático. As autoridades devem respeitar a autonomia, a cidadania e o direito das pessoas escolherem livremente seus gestores", disse ele.
Na opinião do parlamentar, as perseguições aos servidores públicos municipais e estaduais são reflexos da estratégia adotada pelo PR municipal de maximizar a importância do 'alinhamento político'. Ele disse que a prática lembra o 'tempo dos coronéis' e pediu a atenção da Assembléia Legislativa para o caso.
O candidato denunciou ainda a utilização indevida da máquina pública e o que seria uma inversão de prioridades nos investimentos feitos pelo Governo do Estado nos últimos meses. Para Muniz, a realização de obras como a ponte da rua 13 de Maio e a liberação de recursos para a construção de rotatórias seriam exemplos desta inversão.
"Estão construindo uma ponte mais rápido que o 'The Flash' (personagem de quadrinhos que tem supervelocidade) e gastando muito dinheiro em obras de maquiagem eleitoral, enquanto as pessoas estão morrendo por falta de investimentos na Saúde. As obras importantes como a Travessia Urbana e o Viaduto continuam se arrastando, e o Estado não faz os repasses devidos à Santa Casa que já corre o risco de parar. Se o alinhamento fosse realmente bom, isso não estaria ocorrendo", lamentou.
Já no final do discurso, Percival Muniz ressaltou que as críticas que fez visam exclusivamente preservar os princípios democráticos e evitar danos maiores à população rondonopolitana e mato-grossense. "As pesquisas indicam que estou com quase 60% dos votos válidos, mas fico triste em ver a volta dos coronéis. Nossas autoridades precisam entender que o Brasil mudou. Fica aqui o meu protesto e espero que o debate melhore daqui para frente", disse ele.